Ipirá: Mingau quente se come pelas beiradas 

O tiro foi na cabeça para estragar os miolos. Se a intenção era fazer um desarranjo intestinal, já o fez. Observe que estou referindo-me a um acontecimento que virá acontecer em 2020, mas está acontecendo neste momento para deixar bem claro que não tem prá ninguém, desde já.

Dentro das condições objetivas do município de Ipirá. A LEI ELEITORAL, que vigorará em 2020, botou pocando, porque não deixará nenhuma brecha para que a esquerda local (PT e PCdoB) faça um vereador no próximo pleito municipal. Com a proibição das coligações e com a permanência do coeficiente eleitoral, essas duas regras impossibilitarão uma representação desses partidos na Câmara Municipal de Ipirá.

Os dois partidos unidos sempre tiveram uma representação na Câmara e toda vez que se separaram perderam esta representação. A partir de agora, por força da lei, não haverá mais coligação. A configuração será outra.

Vamos começar pelo PT em Ipirá. Com a ajuda da coligação sempre teve um mandato na Câmara. Chegou a ter um prefeito, um vereador e secretários municipais em Ipirá, num momento que tinha um presidente da República e um governador do Estado. Hoje, em Ipirá, o PT local está na maior pindaíba, não tem um vereador para servir de consolo. Com a nova Lei Eleitoral não terá a menor chance, a não ser que…

Por que o PT não cresceu em Ipirá? Sei lá! Eles dizem que cresceram, que chegaram ao Executivo local, etc e tal, quando se juntaram à macacada. O que eu observei foi que o partido perdeu muita militância aguerrida e séria quando se juntou aos macacos e isso fez e faz uma diferença muito grande na qualidade do partido. Perdeu a qualidade e a quantidade não foi para lugar algum, encolheu.

O RENOVA IPIRÁ foi uma das melhores experiências na política de Ipirá nessas últimas décadas, em quatro anos teve um desempenho eleitoral que se igualou, em votos, aos mais de trinta anos do PT. Eu digo foi, porque o RENOVA se espatifou no último pleito quando se juntou aos macacos e não tem engenharia política que faça o milagre de juntar os cacos.

Nesse trajeto todo, de forma objetiva e prática, restou uma representação na Câmara de Vereadores que é exercida por Caryl Oliveira, da coligação do Renova que foi para a macacada. Com a nova Lei proibindo coligação a dificuldade para se chegar a uma representação é absoluta.

Hoje, o PT e o Renova são apêndices da macacada. Tudo enfiado e atolado no mesmo buraco. O que acontecerá? Os pequenos partidos e partidos de aluguel desaparecerão no Brasil. Qual será o reflexo disso em Ipirá? Os vereadores de Ipirá, para sobreviverem, entrarão em um partido grande (PMDB / PSDB), não terão outro recurso, que será controlado na base da rédea curta por um cacique oligárquico e o vereador ficará submetido a um cabresto com bridão para ferir a boca, caso ele tente contrariar os interesses das oligarquias. O vereador não terá mais o controle partidário e perderá os últimos resquícios de vontade própria e o seu poder de chantagear será diminuído.

Como o PT de Ipirá vai embaçar essa situação e dizer que ta de boa? Aí é fácil, basta filiar Diomário Sá e os seis vereadores da macacada no PT. Aproveitem a oportunidade porque eles ainda aceitam, desde quando o PT ainda é o partido do governador. Se perder o governo do Estado, essa gente (Diomário & Cia) não aceitará entrar no PT nem pra ser recebido ao som de violino e pisando em tapete vermelho.

Mas, pouco vale pensar em 2020, sem passar por 2018. Aí quem esquenta a cabeça é Marcelo Brandão. Esquenta a cabeça? Besta é quem pensa que o prefeito Marcelo Brandão esquenta a cabeça. O município pegando fogo, assolado pela seca, em estado de emergência e de calamidade pública, o povo da zona rural precisando de água de carro-pipa até ‘umas zora’ e o prefeito do município viajando, ninguém sabe pra que banda, mas o gestor está viajando uma viagem para refrescar a cabeça. Acreditemos.

Acreditemos, porque se o governador Rui Costa sair vencedor em 2018, o prefeito Marcelo Brandão vai ter um resto de mandato com as mesmas condições que teve neste primeiro ano: vai ter que governar com recursos próprios e sem apoio do governo estadual. Nem Satanás, carregado das melhores intenções, consegue governar um município como o de Ipirá sem apoio do Estado e da União. Se Marcelo Brandão não fez nada neste primeiro ano, assim será a batida da pedra no resto de mandato. Aí, o gestor terá que apostar a calça e a cueca em 2018.

É verdade que o governo Rui Costa não fez nada por Ipirá, pode ter feito lá por Salvador, mas por Ipirá o homem é devedor. Mas, não tem porque Ipirá ter esperança nesse ACM Neto; essa gente do DEM, ligada a Geddel e a Temer tira é o direito do povo e ninguém vai comer H e queixo dessa gente. Agora, o gestor Marcelo Brandão tem que apostar todas as fichas no Neto. Apostar e ganhar aqui em Ipirá, senão perde a média e não vai ficar bem na fita com o Neto.

Não sei como é que está a pesquisa no estado, mas de pouca valia ela é, devido à longitude do tempo. Quem ganhará em Ipirá? Sei lá. Rui Costa tem um grande cabo eleitoral em Ipirá, o deputado Jurandy Oliveira que dentro das suas limitações contribuirá com quase nada para uma eventual vitória de Rui em Ipirá, embora o governador pense que ele seja o ‘cara’; Diomário tem que chover chuva no seu roçado para ele botar a cara no sol; Antônio Colonnezi é mais chegado a Zé Ronaldo e não gosta muito do perfume rançoso do petismo.

A perdedeira de Ipirá está no fato de Ipirá não decidir zorra nenhuma. A perdedeira do prefeito de Ipirá está no fato do seu candidato ao governo perder no Estado, mesmo ganhando em Ipirá (não adiantará nada), ou pior, ganhando no Estado e perdendo em Ipirá (o prefeito será um fraco).

O prefeito Marcelo Brandão vai ter que esquentar a cabeça em 2018, a não ser que faça como o deputado Jurandy Oliveira, que mudou de partido mais uma vez (agora é PROS), mas mantém com firmeza e grandeza os seus princípios ideológicos; é e sempre será o partido que estiver no poder.

O prefeito Marcelo Brandão tem pisado com muita vontade no pescoço de muitos jacus que votou nele; essa turma está mostrando certa contrariedade e já demonstra uma vontade de dá um ‘sapeca ioiô’ no prefeito e a primeira oportunidade será em 2018.

Prefeito Marcelo Brandão! O prato de mingau está fervendo, se V. Exa. colocar a boca vai esfolar a língua. Ninguém gosta mais de prefeito do que o governador Rui Costa e não se incomode com o PT de Ipirá, porque eles estão com os dois dedos no nariz e não distinguem mais o ranço de macaco ou de jacu.

Por Agildo Barreto

Comentários