Polícia Civil é despejada por falta de pagamento de aluguel

Os policiais civis lotados na Delegacia do município de Peritoró-MA, distante 234 km da capital maranhense, foram obrigados a deixar a casa que abrigava a Delegacia de Polícia Civil da cidade, após ordem judicial de despejo proferida pelo Juiz titular da Comarca de Coroatá. Na prática, a Polícia Civil de Peritoró foi para o “olho da rua” por falta de pagamento dos aluguéis.

Acontece que a casa alugada estava no nome de um servidor. Assim como ocorre em várias cidades maranhenses, ficou definido, em comum acordo, que o aluguel seria pago pela Prefeitura de Peritoró. Mas o Poder Executivo municipal deixou de honrar o compromisso de pagar o aluguel do imóvel. Diante de tal situação, o referido servidor ainda pagou o aluguel por seis meses, quando interrompeu o pagamento. De lá para cá, já se passaram quase 4 anos de inadimplência. Um fato lastimável, pois é obrigação do Estado, e não da Prefeitura, ou de qualquer servidor, custear os gastos públicos com segurança.

Na manhã desta sexta-feira, 22, a diretoria do Sindicato dos Policias Civis do Maranhão (Sinpol-MA) acompanhou os policiais tirando os móveis e inquéritos da delegacia, ao mesmo tempo em que populares procuravam atendimento.

Por ordem da Secretaria de Segurança Pública, a delegacia de Peritoró estava sendo transferida para um quarto de alojamento do Quartel da PM. Uma medida extremamente delicada, porque se trata de duas polícias distintas, com funções diferenciadas.

Observem na foto abaixo, que o espaço físico, que mede cerca de 8 m², menor que uma cela comum, cedido à Polícia Civil, vai gerar desconforto para os policiais e para o cidadão que recorre ao serviço. A “solução emergencial” adotada pelo Governo do Estado comprova que a instituição, Polícia Civil, não tem casa, não tem delegacia, não tem local para trabalhar.

Para o presidente do Sinpol-MA, Elton Neves, o local improvisado é inadequado e a situação mostra o “desmonte da Polícia Civil”. “É uma situação de desrespeito com os profissionais da polícia judiciária e com a população que busca o serviço. O que estamos constatando é que os policiais, na sua imensa maioria, estão sem condições de trabalho”, declarou.

Toda essa situação de calamidade poderia ter sido evitada, se o Governo do Estado não agisse com tamanha morosidade. Entenda. Ao lado da casa alugada, onde funcionava a delegacia, um bom terreno. Nela, estava sendo construída uma nova unidade de Polícia Civil. De acordo com a placa da obra, a previsão de entrega seria de 120 dias. Contudo, o início das obras, que hoje se encontra parada, deu-se há quase quatro anos, ou seja, mesmo período em que se iniciou a inadimplência aqui denunciada.

Segundo o vice-presidente do Sinpol-MA, José Rayol Filho, a dura realidade dos policiais civis maranhenses é resultado da péssima política governamental para a segurança pública. “O humilhante despejo da Polícia Civil se soma às outras adversidades, que vão da falta de recursos materiais a humanos. A categoria tem sofrido com a desvalorização e desvio de função”, asseverou.

Fonte:  BLOG FLÁVIO AIRES