Movimento convoca população para barrar votação de projeto de concessões públicas em Ipirá

Um projeto de lei de autoria do executivo para autorizar o município a terceirizar a concessão de uso de bens públicos. E não é só o mercado de artes, quiosques, praças públicas, parque de exposição e outros como estão propagando. o projeto é para todo e qualquer bem público de convivência do município, como por exemplo o Centro Cultural, Centro dos idosos, Ginásio de esportes, etc.

Desta forma, haveria um processo licitatório e a empresa vencedora do certame é que exploraria comercialmente o bem. Não estipularam sequer um prazo para essas concessões. Isto é pegar os bens públicos, construídos com dinheiro do povo de Ipirá e entregar para terceiros, de mão beijada.

Moramos em uma cidade pequena, onde basicamente as fontes de renda são o próprio município, comércio, fábrica de calçados e o polo coureiro. Grande parte dos munícipes são assalariados e precisam fazer mágica com o pouco que ganham para manterem a subsistência de suas famílias com o mínimo de dignidade.

A partir da aprovação desse projeto, muito provavelmente teremos graves consequências: As famílias que trabalhavam e outras que até hoje trabalham no Mercado de Artes, Quiosques, Parque de Exposição e qualquer outro bem público que entre na “terceirização”, terão que pagar para estarem comercializando seus produtos.

A título de exemplo, ipiraenses, humildes, guerreiros, que fazem sua produção artesanal de roupas, sandálias, crochês, etc, no mercado de artes, terão que retirar uma parte do seu pouco lucro para pagar a utilização do espaço a uma empresa terceirizada. Soube que foi apresentada emenda ao projeto dando prioridade aos que já ocupam o espaço, mas de que vale essa prioridade se os priorizados não poderão pagar os preços cobrados.

Prioridade não dá nenhuma garantia para os que já usam, de continuar desenvolvendo o seu trabalho no mesmo local. O projeto ao menos tem algum dispositivo garantindo que durante a execução esses espaços serão preenchidos pelo povo de Ipirá.

E nessa situação, como fica todo pessoal que já exploravam e exploram suas atividades nesses bens, uma vez que investiram e tiveram prejuízo com o incêndio? São descartáveis? Pois poderão perder os espaços que ocupam, há mais de dez anos, para outras pessoas que pagarem mais a empresa que ganhar a licitação.

Serão despejados

Centenas de famílias ficarão desamparadas. Vejam a gravidade dessa situação, gerando um problema social imenso. Necessariamente quem está vendendo seu produto terá que subir o preço para conseguir pagar o uso do espaço. quem perde com isso??? Nós, consumidores, que nessa tremenda crise, momento de extrema dificuldade, desemprego em altíssimo nível, economia parada, teremos aumento de produtos que utilizamos no cotidiano.

Vejam que cidades grandes da Bahia, que possuem uma forte economia e fontes de renda superiores à nossa, jamais tiveram uma iniciativa totalmente descabida como essa. Sinceramente, não sei qual o intuito da administração municipal em apresentar um projeto dessa natureza. É decepcionante ver que 10 (dez) dos 15 (quinze) vereadores do município já aprovaram em primeira votação, com tamanha falta de consciência. Logo eles que estão dia a dia em contato com o povo, presenciando o sofrimento de cada um, diante dessa crise que assola o nosso país. É de entristecer imaginar que nossos legítimos representantes parecem somente estarem preocupados em atender os interesses pessoais do atual Gestor.

O que todos esperam é que alguns revejam essa posição na segunda votação e, para tanto, nós, que os elegemos, devemos ir à Câmara falar com eles. Enfim, vamos todos então, para a Câmara de Vereadores, nesta quinta-feira (24), às 14:00 horas, para manifestar a indignação da população contra esse absurdo, essa prática danosa aos necessitados, aos trabalhadores, artesãos e a todo o povo de Ipirá.

Movimento oposicionista de Ipirá