Suspeito em caso de pacotes-bomba é indiciado após ser detido na Flórida



O americano Cesar Alteri Sayoc Jr., 56, foi detido e indiciado nesta sexta (26) acusado de ter sido responsável pelo envio de 13 pacotes com explosivos a políticos democratas e a críticos do presidente Donald Trump em todo o país.

Ele foi indiciado por cinco crimes federais, incluindo enviar bombas pelo correio e ameaçar ex-presidentes, e pode ser condenado a até 48 anos de prisão. Nenhum dos artefatos chegou a explodir e ninguém ficou ferido.

Sayoc, que é registrado como republicano, foi detido às 11h locais (12h de Brasília) ao lado da van onde morava, em um estacionamento na cidade de Plantation, próxima a Miami, na Flórida. Agentes afirmaram que ele não resistiu à prisão e que chegou a cooperar com os investigadores antes de pedir um advogado.

O FBI (polícia federal americana) afirmou que chegou ao nome de Sayoc, que tem histórico de prisões e ameaças, porque uma digital dele foi encontrada em um dos pacotes.

O caso mexeu com o mundo político americano a menos de duas semanas das eleições legislativas, quando os democratas tentam recuperar o controle da Câmara e do Senado, atualmente nas mãos dos republicanos.

Desde quarta (24), quando diversos pacotes suspeitos foram encontrados em todo o país, líderes democratas passaram a adotar um tom político para falar do episódio. Muitos afirmaram que os ataques verbais de Trump contra a oposição e a imprensa motivaram os pacotes-bomba –o que o presidente e seus correligionários criticaram.

O caso começou na segunda (22), quando foi encontrado um pacote suspeito próximo a casa do bilionário George Soros, crítico de Trump e tradicional doador do partido democrata.

Na noite de terça (23), o Serviço Secreto interceptou mais um pacote, endereçado à ex-secretária de Estado Hillary Clinton na casa onde ela mora com o marido, o ex-presidente Bill Clinton, em Nova York.

Na quarta foram achados mais seis pacotes, inclusive um que tinha como destino a casa do ex-presidente Barack Obama. Ao longo do dia, pacotes a outros alvos foram sendo interceptados, entre eles um na Redação da CNN –que costuma ser criticada por Trump– em Nova York.

Também foram achados pacotes suspeitos no escritório da deputada democrata Debbie Wasserman-Schultz na Flórida e no centro de correspondências do Capitólio, além de um endereçado à também democrata Maxine Waters.

Na quinta (25) foram mais três pacotes achados, sendo dois enviados ao ex-vice-presidente Joe Biden e um ao restaurante e produtora do ator Robert De Niro, outro crítico do presidente americano.

Nesta sexta, autoridades encontraram mais três pacotes em três estados diferentes. Um foi achado em um centro postal de Nova York e era endereçado ao ex-diretor de Segurança Nacional James Clapper, no escritório da CNN na cidade. Outros dois, endereçado aos senadores democratas Cory Booker e Kamala Harris, foram encontrados respectivamente na Flórida e na Califórnia.

Todos os artefatos seguiam o mesmo padrão, com um cano de PVC de cerca de 15 cm, um relógio, uma bateria, alguns cabos e material explosivo. O diretor do FBI, Christopher Wray, disse que os pacotes tinham potencial para machucar e que não podem ser tratados como mero “trote”.

Clapper, que é comentarista na CNN, disse que não ficou surpreso de ser destinatário de um dos pacotes. “Isso não vai silenciar os críticos de Trump”, acrescentou.

A fala foi uma resposta à declaração de Trump nesta sexta de que a cobertura dos meios de comunicação sobre os pacotes-bomba está atrapalhando a performance eleitoral de seu partido.

“Os republicanos estão indo tão bem na votação antecipada e nas pesquisas, e agora essa coisa de bomba acontece e atrapalha. Muito infeliz, o que está acontecendo”, afirmou o republicano.

A van onde Sayoc morava tinha adesivos de apoio a Trump e a outros republicanos e de críticas a democratas e a imprensa. Um deles dizia “CNN sucks” (porcaria de CNN), grito comum em comícios do republicano.

Segundo o jornal The New York Times, Sayoc também costumava frequentar sites de direita e defendia teorias da conspiração em suas contas nas redes sociais.

De acordo com os investigadores, Sayoc perdeu a casa em 2009 e trabalhou como entregador de pizzas e como stripper, mas não está claro se ainda exercia algumas dessas funções. Ele também tem histórico de prisões, tendo sido condenado por roubo, posse de propriedade roubada, tráfico e ameaça de usar explosivos.

Fonte: Folhapress

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