Vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Globo, Paulo Tonet Camargo é o pivô da discussão entre o presidente Jair Bolsonaro e Gustavo Bebianno, que culminou com a queda do então ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República.

O anúncio da queda do ministro foi feito nessa segunda-feira (18), e já nesta terça (19) vazaram os áudios da conversa de WhatsApp em que Bebianno e Bolsonaro discutem por conta de uma reunião marcada com o diretor global.

A confusão começou na terça-feira passada, quando Bolsonaro encaminhou a Bebianno uma mensagem contendo a agenda do ministro. Nela, constava que Bebianno receberia naquele dia, às 16h, Paulo Tonet Camargo.

Ao receber mensagem de Bolsonaro, Bebianno respondeu de imediato: “Algo contra, capitão?”

Após mandar algumas mensagens por escrito, Bebianno recebeu um áudio do presidente em que ele declara que a Globo é inimiga do governo e que, ao fazer contatos com a emissora, a Presidência estaria sendo colocada em posição delicada com “outras emissoras”. Ouça e leia abaixo.

“Gustavo, o que eu acho desse cara da Globo dentro do Palácio do Planalto: eu não quero ele aí dentro. Qual a mensagem que vai dar para as outras emissoras? Que nós estamos se aproximando da Globo. Então, não dá para ter esse tipo de relacionamento. Agora, inimigo passivo, sim. Agora, trazer o inimigo pra dentro de casa é outra história. Pô, cê tem que ter essa visão, pelo amor de Deus, cara!”, comenta Bolsonaro no áudio. E complementa.

“Fica complicado a gente ter um relacionamento legal dessa forma porque cê tá trazendo o maior cara que me ferrou – antes, durante, agora e após a campanha – para dentro de casa. Me desculpa. Como presidente da República: cancela, não quero esse cara aí dentro, ponto final. Um abraço aí”, diz o presidente, que posteriormente negaria a conversa entre os dois citadas por Bebianno.

Além de diretor da Globo, Tonet é presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) desde 2016. A entidade representa três mil emissoras privadas de rádio e televisão no país e está em atividade desde 1962.

Segundo a Folha, a presença de Tonet nos bastidores de Brasília, e bem próximo ao presidente, têm sido constante desde janeiro. Neste ano, ele já se reuniu com os generais Augusto Heleno e Santos Cruz e também com Onyx Lorenzoni, um dos ministros mais próximos do atual presidente. O encontro com Bebianno, no entanto, acabou cancelado.

Crítico pela Globo, Bolsonaro se aproximou desde a campanha eleitoral da Record TV, que vem tendo prioridade na cobertura jornalística do presidente e na relação com a família Bolsonaro. SBT e Rede TV também fizeram movimento semelhante nas eleições e têm recebido mais atenção de aliados do presidente.

Perfil de Tonet
Graduado em Ciências Jurídicas e Sociais e pós-graduado em Direito Público, Paulo Tonet Camargo começou a vida profissional como advogado em Porto Alegre, em 1982, e, em 1986, ingressou no Ministério Público do Rio Grande de Sul (MP-RS), onde atuou como promotor, procurador de Justiça e subprocurador-geral de Justiça do Estado.

Presidiu a Associação do Ministério Público do Rio Grande do Sul. No Ministério da Justiça, foi presidente do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária e diretor do Departamento Penitenciário Nacional, de 1995 a 1997. Em 1998, ingressou no Grupo RBS, onde foi diretor-geral em Brasília e vice-presidente jurídico e institucional.

Em 2011, desligou-se da RBS para assumir o cargo de vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Globo. É ainda diretor do Comitê de Relações Governamentais da Associação Nacional de Jornais (ANJ) e membro do Conselho Superior da Abert e do Conar e do Conselho Diretivo da AIR (Associação Internacional de Radiodifusão), entidade da qual já foi vice-presidente e que representa 17 mil emissoras de rádio e televisão nas três Américas.

Fonte: Correio24Horas

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