Estudantes do transporte universitários de Ipirá tem viagem noturna marcante e temorosa após quebra de veículo e boatos de violência divulgados no Whatsapp.

A viagem que os estudantes universitários de Ipirá (BA) realizam no turno da noite para faculdades em Feira de Santana, contou com uma noite temerosa, nesta segunda-feira (02), marcada por incidentes que ficará na lembrança dos universitários por muitos anos, servindo de recordações para que no futuro seja contada aos seus filhos e netos como viveram uma noite de temor, medo e superação, quando estudantes.

A viagem de ida

Á viagem, logo na sua ida, que tem saída as 16h:30m, de Ipirá, contou com um ônibus avariado, depois do Bravo, impossibilitado de seguir viagem por problemas mecânicos. O incidente, por sorte não possibilitou uma viagem perdida, por conta de um outro ônibus do transporte universitário, totalmente lotado, também de Ipirá, que se encontrava atrás do veículo avariado, e acabou acolhendo todos os estudantes, resultando em uma viagem com alunos dos dois ônibus em um só veículo, causando uma superlotação com muito aperto, mas vista como sorte para os esforçados alunos, que não se queixavam, pois tinham como meta não perderem suas aulas, sendo que qualquer sacrifício seria melhor do que terem uma noite com aulas abortadas.

Após a ‘arrumação’, os estudantes dos dois ônibus, acomodados em um só veículo seguiram viagem. O temor agora seria o veículo ser parado pelos policias no posto da Policia Rodoviária Federal (PRF). Se a policia rodoviária constatasse o veículo com o dobro de sua lotação, certamente pararia o ônibus, que além de multado, só permitiria o prosseguimento do veículo com a sua lotação normal, sendo que o restante dos alunos ficariam no posto policial, o que certamente levaria a terem suas aulas perdidas neste dia, além de muitos outros transtornos.

Chegando próximo ao posto rodoviário, o silencio tomou conta do ônibus, notava-se intuitivamente, que uma corrente de orações estava em curso, pedindo e desejando que os policiais, não olhassem para o interior do veículo, que de tão apertado, não permitia nem mesmo o agachamento de seus ocupantes.

Parece que as supostas orações tiveram resultado. Assim que o veículo passou pelo posto, a impressão era que todos os policiais se encontravam de costas para o veículo superlotado, resultando em uma passagem tranquila, também parecendo que o veículo se encontrava ‘invisível’ aos olhares dos policiais, o que causou uma grande alegria aos estudantes, onde todos gritaram celebrando aquele momento como quando a seleção brasileira faz um gol decisivo na copa do mundo.

Resultado: os estudantes chegaram as faculdades em tempo de assistirem as suas aulas (alguns estudantes perderam o primeiro horário).

A vigem de volta

Na volta, ainda em Feira, em torno das 23h:30m, os estudantes estavam temerosos, mensagens provenientes do aplicativo Whatsapp relatavam:

“Assalto na BA-052, vamos compartilhar”. As 23h:49m, uma mensagem dizia: “Assalto em andamento agora a 8 km do Bravo, sentido Ipirá”, “Quatro veículos já foram abordados… 5 indivíduos com arma de porte pesado”. Outros comunicados vagos diziam que os bandidos tinham colocado toras de madeiras na estrada e estavam entrincheirados com armas de grosso calibre.

Diante dos comentários tenebrosos do Whatsapp os veículos do transporte universitário resolveram se entrincheirar no posto da Polícia Militar que se encontra próximo a Feira de Santana, já na BA-052.

Com clima ‘pesado’, informações vagas no posto policial, davam conta que realmente teria acontecido assaltos na BA-052, mas não teriam como informar com presteza, se realmente os bandidos pudessem estar em determinado local da estrada, até mesmo escondidos dentro do mato, ‘com pesado armamento’, ou seja, tudo era possível.

Já as 00h:30m, os estudantes juntamente com os motoristas, resolveram arriscar, pedir mais uma vez a Deus, confiar na boa sorte e prosseguirem em comboio. Caso os ‘bandidos com pesado armamento’ surgissem na estrada, assaltariam todos os veículos e seria um ‘Deus nos acuda’, no mínimo levariam os celulares, notebooks e tablets de todos os alunos, mas certamente não dava para ficar mais tempo na estrada, pois, muitos pais de alunos já tentavam entrar em contato com seus filhos e o clima já estava ‘pesado’, lembrando o clima do filme “Um dia de cão”.

Novamente, notava-se intuitivamente mais uma corrente de orações dos estudantes no interior dos ônibus e dos seus familiares aguardando a chegada de seus filhos em Ipirá.

Resultado: depois de muitas emoções e temores os veículos chegaram em paz na cidade, e mais um dia de lutas foi concluído pelos bravos estudantes e motoristas dos veículos universitários.

Por Orlando Santiago Mascarenhas
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