A apresentação de Bruno Reis como candidato a prefeito do grupo de ACM Neto (DEM) foi um exemplo de volta dos que não foram. Com ares de convenção antecipada, o vice-prefeito reuniu expoentes dos principais partidos da base da atual administração de Salvador e, de quebra, viu potenciais adversários recuando antes mesmo do nascimento das candidaturas. São as clássicas campanhas natimortas que até enganavam uma parte da população, mas não iriam para frente a não ser que houvesse uma hecatombe política.

Ainda no sábado, o primeiro movimento pró-Bruno Reis de um partido grande veio do PSDB. Depois de ameaçar uma candidatura própria – que sequer chegou a ser articulada -, os tucanos anunciaram que marchariam com o indicado pelo atual prefeito. No passado recente, o movimento não é inédito. Desde 2012, quando Antônio Imbassahy simulou sair contra ACM Neto, o PSDB segue essa rotina inclusive para candidaturas ao governo baiano. Agora, o simulacro surgiu com a remota chance de Marcell Moraes se lançar candidato de si próprio para ampliar a visibilidade do defensor dos animais.

Outro tucano que reivindicou o direito de candidatura foi David Rios. No entanto, ele migraria para o Patriota e bancaria seu nome para beneficiar o irmão, Daniel Rios, no processo de reeleição. Talvez apenas Marcell, que também tenta ajudar a irmã, Marcelle Moraes, e David tenham acreditado nessa possibilidade, mas não dá para discutir quando questões de família estão envolvidas, não é mesmo?

Uma aposta alta veio do bloquinho SD, MDB, PTB e PSC. Após definir Geraldo Jr. como porta-voz, o grupo flertou uma aproximação com o governo de Rui Costa, mesmo sabendo que essa sopa de letrinhas seria esdrúxula até para o padrão brasileiro. Em meio ao processo de capitalização política, representantes das siglas foram aos caciques nacionais numa tentativa de garantir apoio e, diante dessa retirada de candidatura, parece não terem logrado muito êxito. Inclusive, há um adendo da presença de Lúcio Vieira Lima nas conversas. O fantasma da condenação no caso do bunker de R$ 51 milhões parece não assustar ninguém…

O único a se manter afastado desse anúncio foi Léo Prates. E deve ter sido difícil, dado o histórico de aproximação dele com Bruno Reis e ACM Neto. Praticamente desfiliado do DEM, o secretário de Saúde acabou isolado como possível candidato do PDT e precisará de estômago para segurar as pontas dessa candidatura. Ou se manterá sozinho ou colocará o rabinho entre as pernas para fingir que nada aconteceu. Como já simulou uma perseguição no DEM, não seria tanto problema voltar para o ninho democrata, de onde aparentemente nunca deveria ter saído.

Mesmo com esses percalços, Bruno Reis largou na frente na corrida eleitoral da capital baiana em 2020. Mantido o ritmo, deve seguir como favorito no processo, ainda que até agora não tenha aparecido liderando qualquer uma das pesquisas já realizadas. Agora é saber se os neo-aliados, que quase foram adversários, estarão de corpo e alma na campanha. Se o pensamento for de longo prazo, estarão envolvidos até o fio de cabelo.

Este texto integra o comentário desta terça-feira (7) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Irecê Líder FM, Clube FM, RB FM, Valença FM e Alternativa FM de Nazaré.

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Fonte: Bahia Notícias