Seis dias após a repercussão da denuncia de transfobia feita pela jovem Ariel Oliveira Silva em suas redes sociais na terça-feira (14), a AEIPI (Associação dos Estudantes Ipiraenses) veio a público através de uma Nota de Esclarecimento em sua página no Instagram, a fim de contar a sua versão dos fatos.

Na nota a Associação afirma que a jovem distorceu a verdade, afirmando que a jovem não reside na Casa dos Estudantes Ipiraenses (AEIPI), mas sim que a mesma uma ex-sócia-residente, que morou na casa nos anos de 2016/2017, quando cursava Bacharelado Interdisciplinar em Artes (BI/UFBA).

Ainda de acordo com a nota, a “alegação da estudante denunciante de perseguição, discriminação e transfobia não apenas é sem a menor procedência, absoluta inverdade, como representa uma difamação à instituição AEIPI, a Casa dos Estudantes”.

Confira a nota na integra:

NOTA DE ESCLARECIMENTO À COMUNIDADE

A Associação dos Estudantes Ipiraenses (AEIPI), tendo em vista os fatos divulgados por meio de redes sociais pela estudante Ariel Oliveira Silva envolvendo a instituição, e a distorção da verdade que ali se faz, vem por meio da presente esclarecer o que se segue:

1. A estudante Ariel Oliveira Silva não é residente da Casa dos Estudantes de Ipirá (AEIPI), mas uma ex sócia-residente, que morou na mesma nos anos de 2016/2017, quando cursava o Bacharelado Interdisciplinar em Artes (BI/UFBA).

2. Tendo saído espontaneamente da Casa no ano de 2017, durante os quatro anos seguintes nenhum contato manteve com a instituição, só vindo a fazê-lo, em dezembro de 2021, quando solicitou uma hospedagem temporária, sob a alegação de que necessitava submeter-se a exames médicos, no que fora a estudante atendida, e o que se fez em cumprimento ao disposto no artigo 8º do Regimento Interno da AEIPI. Hospedagem dessa natureza não deve superar o tempo da necessidade alegada pelo/a solicitante.

3. O período daquela hospedagem concedida a estudante Ariel Oliveira Silva coincidiu com o do recebimento e aprovação de requerimentos dos novos (as) pretendentes a ingressarem na Instituição, como ocorre todos os anos. A estudante, porém, pretendendo reingressar no quadro de sócios da Instituição, formulou requerimento nesse sentido, passando a adotar postura reticiente de que não sairia mais da Casa, porque ali já estava residindo, ignorando a prática natural da seleção e aprovação dos candidatos que desejassem a mesma oportunidade que anteriomente lhe fora franqueada.

4. No procedimento de seleção dos interessados a ingressarem na Casa, a Instituição primou pela prática histórica e democrática de dar oportunidade a quem ainda não havia tido a mesma oportunidade que foi franqueada a estudante Ariel Oliveira Silva, e aprovou nomes, para as vagas disponíveis, daqueles que desejavam uma primeira oportunidade de dar seguimento aos seus estudos em Salvador. Para isso, teria que recusar o requerimento dessa ex-residente, como o fez em Assembleia Extraordinária especificamente convocada para tratar do assunto, tanto mais porque, no caso específico, a saída da mesma da Casa, há mais de quatro anos, deu-se de modo espontâneo, sem qualquer motivação que a justificasse.

5. Importa esclarecer que há uma elevada demanda de descendentes de famílias ipiraenses por vagas na Casa dos Estudantes, todos de famílias carentes e que acreditam na possibilidade de através da Casa poder dar seguimento aos seus estudos em Salvador. E a Casa, hoje, funciona em instalações improvisadas, um imóvel alugado e com bastante limitação de espaço. Essa circunstância tem exigido um grande esforço daquela no momento de aprovar novos requerimentos de ingresso na mesma, mas se buscado manter o compromisso histórico de priorizar os estudantes que disputam a oportunidade pela primeira vez, seguindo ainda a orientação estatutária de que nos quadros da AEIPI “só serão permitidos estudantes de cursos superiores que não concluíram sua primeira graduação” (art. 3º, parágrafo único do Estatuto da AEIPI).

6. Diante da ciência desse posicionamento da Casa, a estudante Ariel Oliveira Silva, passou a insurgir-se contra a instituição, agora sob o argumento de que estivesse sendo vítima de tratamento discriminatório ou com viés de transfobia, ou de perseguição, e deliberadamente passou a adotar comportamento de importunação, violando a paz e o sossego dos demais residentes, justamente em um ambiente em que se busca promover a paz e o sossego, para a prática dos estudos – trata-se de uma República Estudantil, de uma Casa de Estudantes.

7. A alegação da estudante denunciante de perseguição, discriminação e transfobia não apenas é sem a mesnor procedência, absoluta inverdade, como representa uma difamação à instituição AEIPI, a Casa dos Estudantes. Essa, já uma instituição cinquentenária, ao longo das gerações, sempre foi vanguardista no prestígio à diversidade cultural e de gênero, antecipando-se mesmo no apoio da defesa dos direitos LGBTQIA+, acolhendo membros dessa comunidade em seus quadros, com natural participação nos órgão de representação da instituição.

É mesmo o que ocorre nos dias atuais.

8. Assim, a postura da referida estudante, de deliberadamente investir contra a paz e o sossego da Casa, e agora contra a dignidade e a honra da instituição, somada àquela sua mencionada ilegitimidade para concorrer com outros pretendente a uma vaga na Casa, levou os membros dessa a deliberarem, no foro próprio, como vem a ser a Assembleia, realizada essa no dia 14/06, pela desocupação por aquela estudante do espaço que tem ocupado na Casa, como hóspede. Não se trata, pois, de expulsão de sócio, porque a mesma não ostenta essa condição.

9. Tais os esclarecimentos que Casa dos Estudantes (AEIPI) vem prestar à comunidade, particularmente à comunidade ipiraense, à qual deve gratidão e o reconhecimento pela sua existência, e sendo os mesmos esclarecimentos que oportunamente prestará às autoridades constituídas, nos foros próprios, na certeza de que ataques dessa natureza não comprometerá a sua história e o seu compromisso de continuar representando a alternativa para que filhos de famílias carentes de Ipirá, comprometidos com os seus objetivos de estudantes, possam ascender socialmente, formar-se como pessoa e profissionalmente, a assim poder ajudar na construção de uma sociedade mais livre, democrática e justa.

Sendo os fatos aqui narrados a mais pura verdade, por essa razão CONTAMOS COM O APOIO DE TODOS (AS). NÃO À INJÚRIA, NÃO À DIFAMAÇÃO, NÃO AO FALSEAMENTO DA VERDADE… SIM À HONRA E DIGNIDADE DA CASA DOS ESTUDANTES DE IPIRÁ!

Fonte: Ipirá FM