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NASA encontra metanol em cometa que passou pelo Sistema Solar

Um observatório espacial da NASA identificou a presença de moléculas orgânicas no cometa interestelar 3I/ATLAS, que cruzou o Sistema Solar em 2025. Os dados foram obtidos pelo telescópio SPHEREx, lançado em março do mesmo ano.

Segundo as observações, compostos como metanol, cianeto e metano foram liberados pelo objeto à medida que ele se aproximava do Sol e passava próximo à órbita da Terra. Também foram identificados poeira rochosa e material rico em carbono. Essas substâncias são consideradas blocos fundamentais para reações químicas associadas à química pré-biológica, embora possam ser formadas por processos não biológicos.

O 3I/ATLAS foi descoberto em julho de 2025 e se tornou o terceiro objeto interestelar já detectado cruzando o Sistema Solar. À época, viajava a cerca de 221 mil quilômetros por hora dentro da órbita de Júpiter. Cientistas estimam que o cometa tenha percorrido o espaço por bilhões de anos, acelerado por interações gravitacionais com outras estrelas.

O cometa atingiu o periélio, ponto mais próximo do Sol, no fim de outubro. Em dezembro, passou a aproximadamente 270 milhões de quilômetros da Terra. O SPHEREx conseguiu observá-lo entre os dias 8 e 15 daquele mês.

Com a aproximação do Sol, o calor provocou a sublimação do gelo presente na superfície do cometa, liberando jatos de gás e formando a chamada coma, uma nuvem que envolve o núcleo. Foi nesse material expelido que os cientistas detectaram as moléculas orgânicas.

De acordo com Carey Lisse, pesquisador do Laboratório de Física Aplicada Johns Hopkins e autor principal do estudo, o cometa apresentou intensa atividade após a passagem pelo Sol, liberando inclusive grandes quantidades de gelo de água, que representa cerca de um terço da massa de um cometa típico.

Os resultados foram publicados na revista Research Notes of the American Astronomical Society e ainda não passaram por revisão por pares.

A agência espacial informou que a presença de moléculas orgânicas não indica, por si só, a existência de vida fora da Terra, já que esses compostos podem surgir por processos químicos naturais.

Em 16 de março de 2026, o 3I/ATLAS deve realizar sua maior aproximação de Júpiter. Pesquisadores avaliam que a gravidade do planeta pode intensificar a liberação de gases ou expor material do interior do cometa. Há hipóteses teóricas de que partículas orgânicas liberadas possam cruzar trajetórias próximas a luas como Europa ou Ganimedes, consideradas alvos de estudos sobre ambientes com potencial para abrigar oceanos subterrâneos. Até o momento, essas possibilidades permanecem no campo das especulações científicas.

Com informações do MIX

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