O laudo pericial elaborado pela Polícia Científica de Santa Catarina após a exumação do corpo do cão Orelha não identificou a causa da morte do animal e concluiu que não foram constatadas fraturas ou lesões que pudessem ter sido causadas por ação humana, inclusive no crânio.
O documento, com 19 páginas e obtido pelo UOL, integra uma série de novos pedidos de informações formulados pelo Ministério Público de Santa Catarina.
Apesar de não terem sido encontradas fraturas, os peritos afirmaram que isso não implica ausência de possível ação contundente contra a cabeça do animal. Segundo o laudo, a literatura especializada indica que a maioria dos traumas cranianos não apresenta fraturas, embora possa levar à morte. O documento aponta ser plausível que o cão tenha sofrido trauma contundente e apresentado piora clínica progressiva.
O exame também descartou a hipótese de que um prego tenha sido cravado na cabeça do animal, versão que circulou em redes sociais e em veículos de comunicação. De acordo com os peritos, não houve vestígio de fratura circular no crânio que sustentasse essa possibilidade.
Os especialistas destacaram limitações na análise, uma vez que o corpo estava em fase de esqueletização, restringindo o exame à avaliação óssea dos remanescentes. Foi identificada uma área de porosidade óssea na região maxilar esquerda, considerada processo crônico sem relação com eventual trauma recente. Também foram observados osteófitos na coluna vertebral, compatíveis com espondilose deformante, doença degenerativa comum em animais idosos.
Paralelamente, a Polícia Civil de Santa Catarina solicitou a internação de um adolescente e indiciou três adultos por coação de testemunhas. Segundo a corporação, foram investigados oito adolescentes, sem divulgação de identidades. A polícia apontou contradições no depoimento do jovem indicado como autor e informou que imagens de câmeras e análise de celulares integram o inquérito.
A defesa de um dos adolescentes declarou que os elementos apresentados não constituem prova e classificou a investigação como frágil. O Ministério Público estadual informou que identificou lacunas na apuração e requisitou novos esclarecimentos. O órgão também abriu procedimento para apurar a conduta do ex-delegado-geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel, que afirmou estar tranquilo quanto à investigação.
Com informações do Notícias ao Minuto






