POLÍTICA

Preso por tentativa de feminicídio, Cerimedo atua com Eduardo Bolsonaro e Trump contra eleições no Brasil

O argentino Fernando Cerimedo, estrategista político ligado à extrema direita latino-americana, foi preso na Bolívia sob acusação de envolvimento na tentativa de feminicídio contra sua ex-companheira, a advogada Nadia Beller. A prisão colocou novamente em evidência as relações mantidas pelo argentino com Eduardo Bolsonaro e operadores políticos ligados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

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Cerimedo foi detido após um ataque a tiros contra Beller, que levou três disparos e precisou ser hospitalizada. A advogada acusou o ex-companheiro de ser o responsável por planejar o atentado. O Ministério Público boliviano abriu investigação por tentativa de feminicídio, enquanto a Justiça determinou a prisão preventiva do argentino. As acusações ainda estão sob investigação e não representam uma condenação definitiva.

O nome de Cerimedo ganhou projeção no Brasil durante as eleições de 2022. Naquele período, ele participou da divulgação de informações falsas sobre as urnas eletrônicas e realizou uma transmissão que questionava o resultado da eleição presidencial. A atuação do argentino ocorreu em contato com integrantes do bolsonarismo, incluindo Eduardo Bolsonaro.

A relação com Eduardo Bolsonaro continuou nos anos seguintes. Em fevereiro de 2026, o ex-deputado participou de um evento em Mar-a-Lago, nos Estados Unidos, onde Cerimedo recebeu um prêmio de “Melhor consultor político hispânico do ano”. Eduardo foi responsável por apresentá-lo durante a cerimônia.

Cerimedo também manteve aproximação com setores ligados a Donald Trump. Segundo a reportagem da Revista Fórum, o estrategista argentino passou a atuar em estruturas de comunicação política associadas ao campo conservador norte-americano e participou de iniciativas voltadas à disputa política na América Latina.

A atuação internacional do argentino inclui ainda a campanha de Javier Milei à Presidência da Argentina, em 2023. Cerimedo trabalhou na estratégia digital da campanha e se tornou uma figura conhecida entre grupos de direita e extrema direita da região. Posteriormente, também passou a atuar na Bolívia.

A prisão ocorreu em meio a uma investigação que também apura outras suspeitas envolvendo Cerimedo. Autoridades bolivianas teriam apreendido dinheiro e equipamentos durante as diligências, enquanto investigadores analisam possíveis estruturas digitais utilizadas para disseminação coordenada de conteúdo nas redes sociais.

O caso agora coloca sob os holofotes a rede internacional de relações políticas construída por Cerimedo ao longo dos últimos anos. A proximidade com Eduardo Bolsonaro, sua atuação em campanhas da direita latino-americana e os contatos com figuras ligadas ao entorno político de Trump fazem com que a investigação na Bolívia tenha repercussão além do caso criminal envolvendo a tentativa de feminicídio.

Enquanto as autoridades bolivianas avançam na apuração, Cerimedo permanece sob prisão preventiva. A investigação deverá esclarecer a eventual participação dele no ataque contra Nadia Beller e as demais acusações que envolvem sua atuação política e empresarial.

Com informações da Revista Fórum

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