POLÍTICA

Como Michelle e Nikolas têm atrapalhado a campanha de Flávio Bolsonaro

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República enfrenta um problema dentro do próprio campo político da direita: candidatos aliados têm priorizado a imagem da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) em materiais de campanha, deixando o presidenciável em segundo plano. O movimento aparece em santinhos, adesivos, bandeiras e publicações nas redes sociais.

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Em Minas Gerais, por exemplo, o candidato a deputado estadual Pedro Luiz divulgou santinhos ao lado de Nikolas, sem fazer referência a Flávio. Segundo ele, a estratégia considera a capacidade do deputado de transferir votos e sua força política no estado.

A preferência também aparece em outras regiões. Em Pernambuco, o candidato a deputado federal Thiago Medina publicou diversas imagens ao lado de Nikolas e apenas uma ao lado de Flávio. Em Roraima, uma candidata do Republicanos chegou a se apresentar como a “única candidata a deputada federal do Nikolas” no estado. Em Santa Catarina, uma candidata do Novo também adotou estratégia semelhante.

A força de Nikolas nas redes sociais é um dos fatores apontados para explicar esse movimento. O deputado reúne cerca de 22,1 milhões de seguidores no Instagram, enquanto Flávio Bolsonaro possui aproximadamente 11,3 milhões. A diferença amplia o interesse de candidatos regionais em associar suas campanhas ao parlamentar mineiro.

A situação chegou a gerar cobranças dentro do próprio campo político. Perfis ligados à direita passaram a criticar candidatos que deixam Flávio fora das peças eleitorais e passaram a usar o termo “nikolistas” para se referir a quem prioriza o deputado mineiro.

O próprio Flávio reconheceu o potencial eleitoral de Nikolas. Em uma declaração recente, afirmou que o deputado poderá ter condições de disputar a Presidência no futuro. “Hoje eu sou o candidato”, disse Flávio, ao mencionar a possibilidade de Nikolas assumir esse espaço em 2030 ou 2031.

Michelle também ganha espaço

Michelle Bolsonaro também passou a ocupar um espaço relevante nas campanhas de aliados. No Distrito Federal, a governadora Celina Leão (PP) conta com a ex-primeira-dama como uma de suas principais apoiadoras e não deve participar de atos ao lado de Flávio, apesar do apoio do PL à sua candidatura.

Em Roraima e Mato Grosso, candidatas também utilizaram a imagem de Michelle em seus materiais eleitorais e destacaram sua liderança dentro do campo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

A situação provoca incômodo entre integrantes da campanha de Flávio, que atribuem a menor presença do candidato em determinados materiais ao peso eleitoral de Michelle e Nikolas e às disputas políticas regionais.

Apesar disso, aliados minimizam o episódio. O deputado federal Domingos Sávio (PL-MG), candidato ao Senado, afirmou que a existência de materiais sem a imagem de Flávio não representa necessariamente uma ruptura. “Material solteiro, mas dentro da normalidade. Zero de traição”, declarou.

O cenário expõe uma disputa por espaço e influência dentro do campo bolsonarista durante as eleições de 2026. Enquanto Flávio concentra a candidatura presidencial da família Bolsonaro, Michelle e Nikolas ampliam sua presença nas campanhas estaduais e nas redes sociais, tornando-se referências eleitorais para diferentes candidatos da direita.

Com informações do DCM

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