O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, voltou a ser questionado sobre o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Durante um evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na segunda-feira (24), o senador demonstrou irritação ao ser perguntado se cumpriria a promessa de divulgar o contrato relacionado ao longa.
Flávio havia afirmado anteriormente que apresentaria informações detalhadas sobre a origem e a utilização dos recursos empregados na produção. O filme recebeu recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, e a negociação passou a ser alvo de investigações.
Ao ser questionado novamente sobre o compromisso, o senador respondeu: “Vocês vão parar no tempo?”. Em seguida, afirmou que a prestação de contas já teria sido apresentada no âmbito de uma investigação conduzida em São Paulo e que informações sobre os gastos também foram divulgadas pela imprensa.
Contrato com Vorcaro
A pergunta feita pelos jornalistas não se limitava aos gastos da produção, mas também à divulgação do contrato firmado com Daniel Vorcaro. Flávio, porém, não confirmou se pretende tornar o documento público.
O senador argumentou que se trata de uma relação privada, sem contrapartida de recursos públicos. Segundo ele, o dinheiro utilizado no projeto teria origem em um fundo particular.
Flávio também afirmou que a produtora Go Up já apresentou informações sobre os gastos do filme às autoridades. A empresa declarou que o longa custou cerca de R$ 75 milhões. Entretanto, segundo informações divulgadas pela imprensa, um laudo apresentado pela produtora não detalhou os financiadores nem apresentou notas fiscais emitidas pelos fornecedores.
R$ 61 milhões
A origem dos recursos ganhou destaque depois que veio a público uma negociação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. O senador teria solicitado R$ 61 milhões ao banqueiro para a produção de Dark Horse.
Inicialmente, Flávio negou ter feito o pedido. Após a divulgação de um áudio, porém, reconheceu que havia negociado o financiamento do filme com Vorcaro. O episódio passou a integrar as investigações sobre as movimentações financeiras relacionadas ao projeto.
Em julho, Flávio havia se comprometido a apresentar esclarecimentos sobre o financiamento. Cerca de três meses depois, voltou a ser questionado sobre o assunto e transferiu para a produtora a responsabilidade pela apresentação das contas.
Investigação da Polícia Federal
A nova cobrança ocorreu em um momento de avanço das investigações. Na sexta-feira (21), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a acessar provas apreendidas pela Polícia Civil de São Paulo em uma operação envolvendo a Go Up, produtora responsável pelo filme.
O material poderá ser utilizado na investigação conduzida pela PF sobre a destinação de emendas parlamentares à produtora. A apuração está sob relatoria de Dino.
Durante a entrevista na Fiesp, Flávio não respondeu diretamente se pretende divulgar o contrato com Vorcaro. Em vez disso, passou a criticar a imprensa e direcionou questionamentos para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, citando também o caso Banco Master e integrantes do governo e do PT.
As acusações feitas pelo candidato contra Lula e outras pessoas foram apresentadas durante a entrevista sem que ele apresentasse, naquele momento, provas para sustentá-las.
O episódio mantém o financiamento de Dark Horse no centro das atenções durante a campanha presidencial. Com a investigação da PF avançando e novas cobranças sobre a origem e a aplicação dos recursos, Flávio Bolsonaro segue sendo pressionado a esclarecer os detalhes da negociação envolvendo o filme e Daniel Vorcaro.
Com informações do DCM





