A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito declarou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e fez duras críticas à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL). A posição foi divulgada nesta quarta-feira (26), por meio de uma carta aberta assinada pelo movimento, que reúne pastores e teólogos de diferentes regiões do país.
No documento, a entidade afirma que a permanência de Lula na Presidência está alinhada à defesa da democracia e a princípios cristãos. Ao tratar da candidatura de Flávio, o grupo classificou o projeto político associado ao senador como uma ameaça à ordem democrática e afirmou que ele estaria relacionado ao favorecimento dos setores mais ricos.
A Frente também criticou forças políticas que, segundo o movimento, atacam instituições, questionam resultados eleitorais, estimulam a violência ou ameaçam direitos fundamentais. A entidade utilizou uma passagem bíblica para reforçar a defesa da democracia e da estabilidade institucional.
Outro ponto destacado na carta foi a atuação de Lula diante das medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos contra o Brasil. Para o movimento evangélico, o presidente teve papel relevante na defesa da soberania nacional e na articulação de uma reação democrática ao cenário internacional.
A entidade afirmou ainda que o apoio eleitoral a Lula não significa abandonar sua autonomia. A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito declarou que continuará atuando de maneira independente e mantendo diálogo com diferentes setores da sociedade.
A manifestação ocorre durante a disputa de Lula e Flávio Bolsonaro pelo eleitorado evangélico, segmento considerado estratégico para a eleição presidencial. Pesquisas recentes apontam vantagem de Flávio entre os evangélicos, enquanto Lula vem ampliando sua aproximação com lideranças e grupos religiosos.
Nas últimas semanas, integrantes da campanha petista intensificaram as ações voltadas ao público evangélico. A primeira-dama Janja participou da criação de um comitê de evangélicos e de iniciativas com linguagem gospel. Lula também prepara encontros com pastores e outras lideranças religiosas.
Do outro lado, Flávio Bolsonaro tem mantido uma agenda direcionada ao segmento. Durante sua primeira passagem pelo Nordeste como candidato, nesta quarta-feira, o senador participou inclusive de um culto evangélico em Maceió, em meio a compromissos de campanha na região.
A declaração da Frente acrescenta mais um elemento à disputa pelo voto evangélico. Embora o movimento não represente todo o eleitorado ou todas as igrejas evangélicas do país, sua posição evidencia a existência de grupos religiosos que rejeitam a associação automática entre a fé evangélica e o bolsonarismo.
A entidade encerrou a carta defendendo a escolha de um projeto político que, em sua avaliação, preserve o Estado Democrático de Direito e impeça o avanço de propostas que considera autoritárias.
Com informações do DCM





