POLÍTICA

O temor dos aliados de Flávio com nova articulação de Eduardo nos EUA

Aliados do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) demonstram preocupação com a atuação do deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos a poucas semanas do primeiro turno das eleições de 2026. Segundo reportagem do Diário do Centro do Mundo, baseada em informações do jornal O Globo, o receio é que novas articulações de Eduardo junto ao governo de Donald Trump voltem a colocar o presidente norte-americano no centro da campanha brasileira.

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A principal preocupação está relacionada à possibilidade de novas medidas dos Estados Unidos contra autoridades brasileiras, especialmente integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). Na avaliação de integrantes do entorno de Flávio, uma eventual ação contra o ministro Alexandre de Moraes poderia fazer com que a campanha do candidato voltasse a ser associada às iniciativas adotadas por Trump.

Eduardo tem afirmado que continua defendendo, em reuniões nos Estados Unidos, a aplicação de sanções contra autoridades brasileiras. Segundo o próprio ex-deputado, ele faz esse pedido em diferentes encontros. A atuação ocorre em paralelo às discussões sobre as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

O temor relatado pelos aliados de Flávio tem como antecedente o tarifaço anunciado pelo governo Trump contra produtos brasileiros. As medidas foram relacionadas pela Casa Branca a questões envolvendo o Judiciário brasileiro e o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Naquele período, a relação com o governo norte-americano passou a ocupar espaço no debate eleitoral brasileiro.

Segundo a reportagem, integrantes da campanha avaliam que Flávio procurou reduzir sua associação direta com Trump ao longo da corrida eleitoral. A preocupação agora é que uma nova medida anunciada por Washington volte a aproximar o nome do candidato das decisões do governo norte-americano.

Eduardo, por outro lado, afirma que também atua para evitar o aumento das tarifas sobre produtos brasileiros. Em declaração citada pelo DCM, ele disse que os pedidos para que as tarifas não sejam ampliadas são feitos ao mesmo tempo em que responsabiliza o governo Lula por parte das razões apresentadas pelos Estados Unidos para as medidas comerciais.

A articulação de Eduardo nos Estados Unidos também envolve discussões sobre segurança pública. Em documento enviado ao Congresso americano, o governo Trump criticou a atuação brasileira no combate ao crime organizado e mencionou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho, cobrando medidas consideradas mais firmes contra as organizações criminosas.

O episódio ocorre ainda em meio a outras divergências dentro do grupo político de Flávio sobre a atuação de Eduardo na política externa. Reportagem do UOL publicada nesta semana apontou que setores ligados à campanha discutem diferentes nomes para um eventual comando do Itamaraty e demonstram resistência à possibilidade de Eduardo assumir a pasta.

A nova movimentação nos Estados Unidos, portanto, acrescenta mais um elemento às discussões internas da campanha de Flávio. Enquanto Eduardo mantém sua atuação junto a autoridades americanas, aliados do candidato avaliam os possíveis impactos políticos de novas medidas de Washington sobre a disputa presidencial brasileira.

Com informações do DCM

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