POLÍTICA

Flávio usa crime para pedir votos, mas falta a 72% das sessões da Comissão de Segurança

O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem utilizado sua atuação na Comissão de Segurança Pública do Senado como uma das principais credenciais de sua campanha eleitoral. Apesar disso, levantamento da Folha de S.Paulo, citado pelo Diário do Centro do Mundo, mostra que o parlamentar participou de apenas três das 11 sessões realizadas pelo colegiado em 2026, deixando de comparecer a oito reuniões.

Banner ChatGPT

A participação na comissão aparece em peças da propaganda eleitoral de Flávio, nas quais sua campanha destaca o combate às facções criminosas e apresenta propostas para a área de segurança pública. Entre as medidas defendidas estão o endurecimento de penas e ações contra o crime organizado.

Em uma das sessões das quais participou, realizada durante o período eleitoral, foram analisados projetos relacionados a armas, homicídios contra autoridades e proteção de mulheres sob medida protetiva. Na ocasião, Flávio relatou três das quatro propostas aprovadas pelo colegiado.

Outra bandeira apresentada pelo candidato é a classificação de organizações como o PCC e o Comando Vermelho como terroristas. Entretanto, segundo o levantamento, o Senado rejeitou no ano passado uma proposta nesse sentido, e Flávio não registrou voto favorável na votação.

A frequência nas sessões da comissão não é o único indicador citado na reportagem. Um levantamento sobre a atuação parlamentar aponta que Flávio deixou de registrar voto em 43% das deliberações nominais do Senado no primeiro semestre de 2026. Além disso, ele chegou ao último ano do mandato sem nenhum projeto de sua autoria transformado em lei. Duas propostas das quais foi coautor entraram em vigor, mas nenhuma delas trata especificamente de segurança pública.

Procurada pela reportagem, a assessoria de Flávio afirmou que “o Parlamento tem limites de atuação diante da agenda de Flávio como candidato à Presidência da República”. A equipe também citou a atuação do senador em defesa do endurecimento de penas e da atualização da legislação, além de premiações recebidas por ele em anos anteriores.

Em setembro, Flávio voltou a participar de uma sessão da Comissão de Segurança Pública em meio à repercussão do caso Banco Master. Durante a reunião, além de discutir projetos relacionados à segurança, o senador utilizou a tribuna para defender o impeachment do ministro Alexandre de Moraes. Segundo os registros mencionados na reportagem, ele havia utilizado os microfones do colegiado em apenas outras três ocasiões ao longo do ano.

A diferença entre a frequência registrada na comissão e o destaque dado ao colegiado na campanha eleitoral passou a integrar o debate sobre a atuação parlamentar de Flávio durante sua candidatura à Presidência.

Com informações do DCM

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo