POLÍTICA

Contrato de R$ 427 milhões ligaria Nunes Marques a Daniel Vorcaro, aponta PF

Documentos encaminhados pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal (STF) revelam um contrato de honorários que pode chegar a R$ 427 milhões envolvendo pessoas do entorno do ministro Kassio Nunes Marques e negócios de interesse de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. As informações foram divulgadas pela Revista Fórum nesta segunda-feira (21).

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Segundo os documentos, o contrato foi firmado com o escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos Advocacia, ligado à advogada Camilla Ramos, esposa do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). O acordo previa honorários de êxito de 5% sobre valores que poderiam ser obtidos em 12 processos envolvendo precatórios de interesse do Banco Master.

As ações judiciais poderiam resultar na liberação de aproximadamente R$ 8,5 bilhões em precatórios relacionados a indenizações decorrentes de políticas de controle de preços adotadas pelo antigo Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA). Caso houvesse êxito, o escritório receberia os honorários previstos no contrato.

Mensagens extraídas do celular de Vorcaro também fazem referência ao grupo como “Turma do KN”, expressão que, segundo a reportagem, seria uma referência a Nunes Marques. Em uma das conversas, Camilla Ramos teria comemorado um voto do ministro em julgamento relacionado a precatórios de usinas de cana-de-açúcar.

O material apreendido pela PF também registra pedidos e benefícios relacionados ao ministro. Entre eles aparecem reservas de hospedagem, eventos, camarotes e outros gastos atribuídos a pessoas ligadas ao grupo. Uma das mensagens menciona uma diária no Hotel Fasano Itaim, em São Paulo, que Vorcaro teria autorizado colocar em sua conta.

Nunes Marques nega ter atuado em favor do Banco Master e afirmou que nunca votou a favor da instituição financeira. O ministro também declarou que seu filho, Kevin Marques, nunca recebeu dinheiro diretamente de Daniel Vorcaro. Kevin, por sua vez, afirmou que não prestou serviços ao Banco Master nem recebeu pagamentos do ex-banqueiro.

O caso integra o conjunto de informações analisadas pela Polícia Federal a partir do conteúdo extraído do celular de Vorcaro, no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master. As circunstâncias envolvendo o contrato e as relações mencionadas nos documentos permanecem sob apuração.

Com informações da Revista Fórum

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