POLÍTICA

Lula manda recado a Flávio e diz que Planalto não pode ter miliciano

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante um ato de campanha em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, nesta quinta-feira (24). Sem citar diretamente o nome do adversário em determinado momento, Lula afirmou que o Palácio do Planalto não pode ser ocupado por um “representante de miliciano”.

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A declaração ocorreu no mesmo dia em que novas informações sobre a relação de integrantes do gabinete de Flávio com Robson Calixto, conhecido como “Peixe”, ganharam repercussão. Calixto foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por participação na organização criminosa relacionada ao assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

Durante o discurso, Lula afirmou que um político eleito não deveria assumir compromissos com criminosos, organizações criminosas ou milicianos. Em seguida, declarou que “no Palácio do Planalto não cabe a representação de miliciano”. A fala foi interpretada como uma referência a Flávio, adversário do presidente na disputa eleitoral.

Emendas parlamentares entram no debate

O episódio está relacionado a uma investigação da Polícia Federal sobre a destinação de emendas parlamentares para entidades do Rio de Janeiro. Segundo informações divulgadas pela imprensa, uma assessora de Flávio Bolsonaro tratou, em 2023, com Robson Calixto sobre a liberação de uma emenda de aproximadamente R$ 200 mil destinada ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop).

A entidade mantém um projeto esportivo voltado para crianças e adolescentes em Taquara, região apontada como área de influência de grupos ligados aos irmãos Brazão. A PF investiga suspeitas de desvio de recursos públicos destinados a organizações da região.

Flávio Bolsonaro afirma que a destinação das emendas ocorreu dentro dos critérios legais e técnicos. A existência dos contatos entre sua assessora e Calixto é um dos elementos analisados na investigação, mas a apuração ainda busca esclarecer se houve irregularidades na utilização dos recursos.

Lula também citou o caso Master

Durante a agenda no Rio, o presidente voltou a mencionar as investigações envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro. Lula afirmou que é necessário esclarecer as relações entre empresários, políticos e integrantes do Judiciário que aparecem nos documentos da investigação.

“Quem é amigo do presidente é o povo, não é o Vorcaro”, declarou Lula, em referência ao banqueiro preso no âmbito das investigações sobre o caso Master.

As declarações fazem parte da estratégia da campanha de Lula de explorar, no horário eleitoral e nos atos públicos, as informações relacionadas a Flávio e às investigações envolvendo o Banco Master e as emendas parlamentares. Nesta quinta-feira, a propaganda eleitoral do presidente também apresentou referências às notícias sobre a relação de uma assessora do senador com Robson Calixto.

Flávio Bolsonaro e sua campanha têm contestado as acusações e negado irregularidades. As investigações sobre as emendas e os demais episódios citados continuam em andamento.

Com informações da Revista Fórum

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