POLÍTICA

Senado: Bolsonaristas ficam a 10 votos de poder aprovar impeachment de ministros do STF

O resultado das eleições para o Senado ampliou a força do bolsonarismo na Casa e colocou novamente no centro do debate a possibilidade de abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O PL elegeu 19 dos 54 senadores escolhidos no domingo (4) e passará a contar com 28 parlamentares a partir de 2027, formando a maior bancada do Senado.

A pauta de impeachment de integrantes do STF é uma das principais bandeiras defendidas por setores bolsonaristas. O principal alvo é o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo que resultou na condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. Flávio Bolsonaro também já defendeu publicamente o afastamento do magistrado.

Apesar do avanço da direita, o grupo ainda não alcançou sozinho os votos necessários para retirar um ministro do Supremo. Para aprovar um impeachment, são necessários 54 dos 81 votos do Senado, o equivalente a dois terços da Casa. Levantamento divulgado após a eleição aponta que pelo menos 51 senadores a partir de 2027 já se posicionaram favoravelmente à abertura de processos contra ministros do STF, três abaixo do número exigido para a aprovação.

A nova composição também aumenta a pressão sobre a escolha do próximo presidente do Senado. O grupo político ligado a Flávio Bolsonaro trabalha com os nomes de Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de sua campanha, e Tereza Cristina (PP-MS) para disputar o comando da Casa. Marinho é considerado mais alinhado ao bolsonarismo, enquanto Tereza Cristina é vista como uma alternativa com maior possibilidade de diálogo com setores do centrão.

Atualmente, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), tem evitado dar andamento aos pedidos de impeachment contra ministros do Supremo. A abertura de um processo depende do despacho do presidente da Casa. Por isso, a eleição para o comando do Senado em fevereiro de 2027 será estratégica para os grupos que defendem a medida.

A pressão contra o STF também ganhou força durante a campanha após novas informações relacionadas ao caso Banco Master. Em setembro, senadores de diferentes partidos defenderam o afastamento de Alexandre de Moraes depois da divulgação de informações sobre sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Entre os parlamentares que fizeram manifestações nesse sentido estava Flávio Bolsonaro.

Além da maior bancada do PL, o novo Senado terá outros parlamentares identificados com a direita e com o bolsonarismo. A composição poderá dificultar a aprovação de pautas do próximo governo e aumentar a pressão sobre o STF, mas a aprovação de um impeachment continuará dependendo da formação de uma maioria de 54 votos, o que exige apoio de parlamentares de outros partidos.

Com informações da Revista Fórum

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