POLÍTICA

Bolsonaristas planejaram fake news sobre “golpe da esquerda” no 1º turno

Uma teoria sobre um suposto “golpe da esquerda” para anular as eleições caso Flávio Bolsonaro (PL) vencesse no primeiro turno ganhou força nas redes sociais nos dias que antecederam a votação de 4 de outubro. Segundo levantamento citado pelo Diário do Centro do Mundo e checagem do Aos Fatos, a narrativa envolveu alegações sobre uma possível intervenção dos Estados Unidos, ataques de facções criminosas e uma suposta articulação entre o governo Lula e o Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com as publicações analisadas, o fechamento temporário de representações diplomáticas dos Estados Unidos e da Austrália no Brasil foi apresentado como uma preparação para uma eventual intervenção norte-americana. As mensagens afirmavam, sem apresentar evidências, que o governo dos EUA teria descoberto um plano para anular o resultado eleitoral caso Flávio Bolsonaro conquistasse a Presidência no primeiro turno.

A teoria também passou a associar o suposto plano a uma possível atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho. Segundo as publicações, as facções estariam envolvidas em possíveis ataques próximos a embaixadas. O Aos Fatos classificou como falsa uma publicação que atribuía à Polícia Militar de São Paulo a descoberta de um plano do PCC para realizar ataques caso Flávio vencesse.

O alcance da narrativa aumentou rapidamente. Um levantamento do Instituto Democracia em Xeque identificou 164,8 mil publicações sobre uma possível intervenção estrangeira no processo eleitoral apenas na sexta-feira (2), com aproximadamente 2,2 milhões de interações. A teoria, inicialmente difundida por perfis de menor alcance, passou a ser reproduzida também por influenciadores, políticos e candidatos.

Entre os políticos que reproduziram a narrativa está o deputado federal Paulo Bilynskyj (PL-SP), que relacionou o fechamento das representações diplomáticas a uma possível vitória de Flávio Bolsonaro e a uma suposta reação do PT. O candidato a deputado federal Jeffrey Chiquini (Novo-PR) também publicou conteúdo relacionando declarações do ministro Flávio Dino a uma possível tentativa de anulação das eleições.

Os comunicados oficiais das representações diplomáticas, porém, apontaram preocupações relacionadas à segurança e não mencionaram qualquer plano de intervenção eleitoral. A Polícia Federal também realizou uma operação preventiva para investigar possíveis ameaças contra instalações diplomáticas e informou não ter encontrado elementos que confirmassem os riscos investigados ou suspeitos ligados a organizações criminosas.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também desmentiu mensagens sobre supostos ataques de facções criminosas durante a votação e informou que não havia indícios de uma ameaça generalizada às seções eleitorais.

Com informações do DCM

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