POLÍTICA

Flávio Bolsonaro gastou R$ 8 milhões para impulsionar posts durante crise sobre Nossa Senhora Aparecida

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) despesas de R$ 8 milhões com impulsionamento de conteúdos nas redes sociais entre 24 e 30 de setembro, período em que o candidato enfrentou uma crise envolvendo publicações sobre Nossa Senhora Aparecida. Os dados foram levantados pelo Fórum Investiga a partir da prestação de contas eleitoral.

Segundo o levantamento, os R$ 8 milhões representam 88,9% dos cerca de R$ 9 milhões declarados pela campanha de Flávio para impulsionamento durante o primeiro turno. Os gastos foram concentrados em apenas sete dias, quando o candidato passou a divulgar conteúdos para contestar informações que circulavam nas redes sociais sobre uma suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.

A polêmica teve início após a circulação de conteúdos relacionando Flávio a um projeto de lei sobre o título de padroeira do Brasil. Checagens publicadas posteriormente apontaram que o projeto que deu origem ao boato não era de autoria de Flávio Bolsonaro e havia sido apresentado anos antes, estando arquivado desde 2008.

Em meio à repercussão, Flávio publicou um vídeo afirmando que não pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A campanha também recorreu à Justiça Eleitoral para contestar publicações relacionadas ao episódio.

Os registros apontam que, em 24 de setembro, a campanha destinou R$ 1 milhão ao impulsionamento de conteúdos, sendo R$ 800 mil diretamente à Meta, responsável por Facebook e Instagram, e R$ 200 mil por meio da empresa Joyo Tecnologia Brasil, relacionada ao Kwai. Nos dias seguintes, novos pagamentos foram registrados.

No dia 28 de setembro, foram destinados R$ 1,7 milhão ao impulsionamento. No dia seguinte, mais R$ 1 milhão foi pago à Meta. O maior desembolso ocorreu em 30 de setembro, quando a campanha declarou R$ 4,3 milhões em impulsionamento, dos quais R$ 4 milhões foram destinados à Meta e R$ 300 mil à Joyo.

A controvérsia também chegou ao Tribunal Superior Eleitoral. O episódio envolveu decisões judiciais sobre a retirada de publicações relacionadas a Nossa Senhora Aparecida, gerando divergências entre ministros da Corte. Posteriormente, parte das restrições foi revista durante o julgamento do caso.

O levantamento também cita dados do Instituto Democracia em Xeque, segundo os quais o episódio gerou 2,4 milhões de menções nas redes sociais entre 24 e 29 de setembro, acompanhadas de 24,7 milhões de interações. O maior volume foi registrado no dia 25, quando houve 46,3 mil menções em uma única hora.

A campanha de Flávio, por sua vez, sustentou que o objetivo das publicações impulsionadas era responder ao que classificou como informações falsas sobre sua posição em relação à padroeira do Brasil. Os gastos constam da prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral.

Com informações da Revista Fórum

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