A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionou a Justiça Eleitoral e outras autoridades para pedir investigação sobre uma estratégia que utiliza vídeos de crianças de Uganda na divulgação de uma criptomoeda associada à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). O caso envolve o chamado “B22 Token”, que oferece ativos digitais a usuários que compartilham conteúdos relacionados ao número 22 e à campanha do candidato.
A estratégia utiliza o perfil Hyper Kids Africa, no Instagram, que reúne cerca de 13 milhões de seguidores. Vídeos de crianças integrantes do projeto social africano passaram a ser utilizados para promover o token, acompanhado de referências ao número 22, correspondente ao partido de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. O site afirma que parte dos recursos seria destinada a projetos sociais em Uganda.
O principal questionamento envolve a distribuição de criptomoedas em troca do compartilhamento de conteúdos de caráter eleitoral. Especialistas em direito eleitoral ouvidos pela imprensa avaliam que a prática pode configurar propaganda eleitoral irregular ou até mesmo doação ilegal, dependendo da forma como a operação é estruturada e de sua eventual relação com pessoas jurídicas.
Em declarações divulgadas nas redes sociais, Kevim Flores, apontado como idealizador do token, teria explicado que a estratégia buscava atingir também pessoas que haviam votado em Lula. Segundo relatos sobre uma transmissão ao vivo, a intenção seria fazer com que esses usuários compartilhassem o conteúdo relacionado ao B22 em suas próprias redes, ampliando a divulgação da campanha de Flávio.
A operação chamou atenção porque combina divulgação política, distribuição de criptomoedas e a imagem de um projeto social voltado a crianças africanas. Para especialistas, essa combinação pode dificultar a identificação do caráter eleitoral do conteúdo e ampliar seu alcance nas redes sociais.
O caso também foi relacionado pela imprensa a estratégias digitais utilizadas em eleições anteriores. Especialistas apontaram semelhanças com mecanismos de divulgação que envolveram Pablo Marçal e que posteriormente foram considerados pela Justiça Eleitoral em processos relacionados à campanha de 2024.
A campanha de Flávio Bolsonaro foi procurada para se manifestar sobre o caso. Até a publicação das informações consultadas, não havia posicionamento divulgado sobre as acusações. A investigação deverá esclarecer quem organizou a ação, como ocorreu a distribuição dos tokens e se houve participação ou conhecimento formal da campanha do candidato.
Com informações da Revista Fórum





