POLÍTICA

Conta offshore ligada a jato de Vorcaro tinha Flávio Bolsonaro como “usuário master”

Um relatório da Polícia Federal (PF) apontou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparecia como “usuário master” de uma conta bancária vinculada à Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, que detinha participação em um jato executivo utilizado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (14), em reportagem do Diário do Centro do Mundo, com base em informações da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo.

Segundo os investigadores, o cadastro indicava um possível nível elevado de acesso e gerenciamento dos recursos da empresa. A documentação foi identificada durante a análise de e-mails recuperados do iCloud do advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro.

Em uma mensagem enviada ao Santander em 22 de maio de 2025, uma funcionária do escritório de Tomaz solicitou a retirada de contas associadas ao perfil administrativo, incluindo uma identificada com o nome do senador e outra vinculada ao próprio advogado. O banco respondeu que havia realizado a exclusão solicitada.

Para a Polícia Federal, os registros levantam a hipótese de eventual participação econômica ou societária de Flávio na Alcazar Holdings. A documentação, entretanto, não comprova isoladamente que o senador fosse sócio oculto da empresa ou que tenha realizado operações financeiras irregulares.

Jato utilizado por Flávio tinha ligação com Vorcaro

A Alcazar Holdings detinha um terço da participação na empresa proprietária de um jato executivo Legacy 650, de prefixo PP-NLR. A aeronave também tinha participação da Prime You, empresa da qual Daniel Vorcaro foi sócio entre setembro de 2021 e setembro de 2025.

Em janeiro de 2025, Flávio Bolsonaro viajou dos Estados Unidos para Brasília a bordo do avião, acompanhado de familiares e de Willer Tomaz. Na ocasião, o senador afirmou que viajou como convidado do advogado, com quem mantém amizade.

A investigação também identificou registros de reservas de voos internacionais envolvendo Flávio, familiares e pessoas ligadas a Tomaz. Entre os deslocamentos documentados estavam trajetos entre Lisboa e Nice e entre Cascais e Nice, em abril e maio de 2025.

Os investigadores encontraram ainda conversas entre o senador e o advogado por meio do aplicativo Confide, que permite o envio de mensagens criptografadas e autodestrutivas.

Flávio e advogado negam irregularidades

A assessoria de Flávio Bolsonaro negou que o senador tenha mantido uma conta como usuário master de Willer Tomaz ou de empresas ligadas ao advogado. Segundo a manifestação, o próprio e-mail apresentado na reportagem demonstraria que a associação foi considerada indevida e que houve um pedido para desfazê-la.

Willer Tomaz também rejeitou as informações e afirmou que mantém apenas uma relação de amizade com o senador, sem vínculos financeiros ou societários. O advogado declarou ainda que as viagens mencionadas foram realizadas a lazer, com familiares convidados, sem pagamento ou contrapartida.

O caso integra as apurações da Polícia Federal sobre possíveis irregularidades financeiras e outros desdobramentos relacionados ao Banco Master e a pessoas ligadas ao advogado. Os registros identificados pelos investigadores deverão ser analisados para esclarecer a natureza das relações empresariais e financeiras mencionadas no relatório.

Com informações do DCM

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