BAHIA

Baiano de 10 anos aprovado em 3º lugar em curso de engenharia não pôde cursar faculdade

O baiano Marcelo Gomes Viana Lopes, classificado em 3º lugar no curso de Engenharia Mecânica na Universidade de Fortaleza (Unifor), não pôde cursar a faculdade. De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), no Brasil só é possível ingressar em uma instituição de ensino superior após concluir o ensino médio.

Marcelinho, como costuma ser chamado pelos amigos e familiares, não prestou o vestibular com a intenção de já ingressar no curso. Ao g1, ele contou que queria experimentar como seria fazer a prova em uma universidade, concorrendo com pessoas mais velhas.

Apesar de ter incentivado a decisão do filho e ajudado na inscrição da prova, a mãe de Marcelinho, a advogada Tatiana Gomes, não acreditou que ele fosse passar justamente por ainda ser uma criança.

“Eu não achei que ele fosse passar, porque sabia que iria concorrer com pessoas bem mais velhas. Quando vi o resultado, senti um orgulho inenarrável”, contou.

No Brasil, a lei obriga a conclusão do ensino médio para o ingresso em uma instituição de ensino superior. Apesar disso, alunos que cursam a 3ª série do ensino médio e são aprovados no vestibular podem entrar com uma ação judicial, que pode ser aprovada ou não por um juiz.

Além disso, existem outras formas de concluir o ensino médio: o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e supletivos:

  • Enem – a prova havia deixado de ter essa função em 2017, por decisão do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Porém, voltou a ser usada como certificado de conclusão do ensino médio para maiores de 18 anos, dependendo da nota do aluno. Quem deseja concluir o ensino médio através do Enem, precisa marcar esta opção no ato da matrícula.
  • Exame de proficiência ou supletivo – maiores de 18 anos podem fazer o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) para obter o diploma do ensino médio de forma antecipada e apresentá-lo à universidade.

No caso de Marcelinho, ainda há um longo caminho pela frente: o garoto cursa o 7º ano do ensino fundamental no Colégio Farias Brito, em Fortaleza. A família se mudou para a capital do Ceará após o menino ganhar uma bolsa integral na escola.

Enquanto ainda está na escola, o baiano tem aproveitado para expandir o conhecimento em várias áreas. Ele participa de olimpíadas de conhecimento, do programa de caça de asteroides da Nasa, de uma oficina de criação de foguetes junto com a Equipe Wigpédia e a Universidade Federal do Ceará e é bolsista do Programa de Iniciação Científica Júnior da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (Oba).

“As olimpíadas me ajudaram a fazer prova sob pressão, porque tem o cronômetro, são muitas questões. Isso me ajudou no vestibular”, contou.

Junto a tudo isso, o menino segue tendo uma infância como qualquer criança comum. Ele brinca com a cachorrinha, faz aulas de natação e adora uma partida de RPG com os melhores amigos. “Eu ainda tenho uma infância, sou uma criança normal, mesmo gostando de estudar e passando no vestibular. Isso não anula minha infância”, afirmou.

Com informações do G1 Bahia

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