Após os episódios de violência que deixaram dois jovens mortos e provocaram depredações antes do Ba-Vi do último domingo (23), o secretário da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), Marcelo Werner, afirmou que é necessário discutir a própria existência das torcidas organizadas no estado.
Em comunicado divulgado nesta segunda-feira (24), Werner lamentou as mortes e classificou os ataques registrados antes do clássico como atos de “selvageria” e “covardia”. Segundo o secretário da pasta, as pessoas envolvidas nos confrontos estariam se passando por torcedores.
Quero lamentar a morte de dois jovens ontem, solidarizar com as famílias e, acima de tudo, repudiar veementemente esses atos de selvageria, de covardia praticada por criminosos que se passam por torcedores”, afirmou.
O secretário defendeu que clubes, Federação Bahiana de Futebol, Ministério Público, Tribunal de Justiça e demais integrantes do sistema de futebol e Justiça discutam medidas para enfrentar a violência envolvendo grupos organizados.
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Inclusive, acredito que todos que gostam de futebol, que fazem o futebol acontecer, todo sistema de Justiça, Ministério Público, Tribunal de Justiça, Federação Baiana, os clubes, está na hora de repensar a existência desses grupos que se dizem torcedor organizado”, declarou.
De acordo com Werner, as forças de segurança prenderam 64 pessoas durante as ocorrências. Seis delas, segundo o secretário, foram identificadas como suspeitas de participação nas agressões que resultaram nas mortes dos dois jovens.
De imediato, as forças de segurança atuaram firmemente, capturaram 64 criminosos travestidos de torcedores. Desses 64, seis foram identificados como os autores das lesões covardes que vitimaram esses dois jovens”, disse.
As investigações continuam para identificar outras pessoas envolvidas nos ataques. A SSP-BA também informou que denúncias podem ser encaminhadas pelo Disque Denúncia 181.
Mortes antes do clássico
Uma das vítimas foi José Alexandre Souza Borges, de 28 anos, integrante da Bamor, torcida organizada ligada ao Bahia. Alexandre foi morto no domingo, poucas horas antes do clássico, na Via Regional, em Cajazeiras, região próxima ao Barradão.
Em imagens registradas por testemunhas, é possível ver o torcedor em uma motocicleta sendo cercado por dezenas de integrantes de uma torcida rival. José Alexandre foi agredido e esfaqueado. O homem chegou a ser socorrido e internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas não resistiu aos ferimentos.
Além da morte de José Alexandre, a Polícia Civil confirmou nesta segunda-feira o óbito de Lucas dos Reis Bonfim, de 19 anos. O jovem foi morto a tiros no bairro de Castelo Branco. Inicialmente, a polícia informou que não havia elementos que apontassem relação entre a morte de Lucas e o assassinato de José Alexandre, nem confirmação oficial de que o caso estivesse ligado aos confrontos entre torcidas organizadas.
Ao g1, os familiares disseram que Lucas foi baleado próximo ao fim de linha de Castelo Branco enquanto observava a movimentação relacionada à confusão ocorrida na Avenida 29 de Março. Segundo a família, a vítima havia integrado Os Imbatíveis, mas passou a fazer parte da torcida rival cerca de um ano atrás. Os dois casos são investigados pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Com informações do Bnews





