O nome do candidato ao governo da Bahia ACM Neto (União Brasil) repercutiu na noite desta quinta-feira (6) após a conta do candidato no Instagram ter publicado um vídeo dele fazendo campanha e adicionarem o filtro “Bronzer”, da influenciadora Carol Peixinho.

Nas redes sociais, internautas acusaram o político de tentar “escurecer” o tom da pele usando o filtro. A publicação do conteúdo com o filtro foi confirmada ao UOL pela assessoria de campanha do candidato.

“Foi falta de atenção, coincidência. Foi um erro da equipe, não tem outra coisa para dizer. É verdade [a publicação do conteúdo]”, disse a assessoria do ACM à reportagem. Após a repercussão, o stories do vídeo com o filtro foi apagado.

O candidato e ex-prefeito de Salvador vem sendo alvo de críticas por se declarar como “pardo” ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) na disputa pelo governo da Bahia — estado onde cerca de 80% da população se autodeclara negra.

Inicialmente, ACM Neto se autodeclarou como “branco” ao registrar sua candidatura na Corte Eleitoral. Na ocasião, ao UOL, a campanha justificou que se tratou de um “equívoco do departamento jurídico, corrigido no mesmo dia ou no seguinte à publicação”, e mantém que o político sempre se autodeclarou como pardo, questão que tem causado acusações de que ele teria buscado se beneficiar das cotas do fundo eleitoral.

Ao jornal O Estado de S.Paulo, ACM Neto afirmou que sempre se identificou como pardo. Ele avaliou que críticas representam “falta de caráter” e “desespero” dos adversários. O candidato também negou ter passado por qualquer procedimento de bronzeamento artificial.

Veja os comentários dos internautas sobre o uso do filtro pelo candidato:

“ACM neto deu o maior vacilo hoje, postou um storie no Instagram antes de salvar e aparece nitidamente o uso do filtro ‘bronzer de Carolpeixinho’ usado para escurecer a pele dele na rede social. O menino de vovô não vai ser governador”, escreveu um internauta.

ACM disputa segundo turno com candidato do PT

O ex-secretário estadual de Educação da Bahia Jerônimo Rodrigues (PT) e ex-prefeito de Salvador ACM Neto vão disputar o segundo turno na eleição para governador da Bahia no próximo dia 30 de outubro.

Aliado do atual governador Rui Costa (PT), Jerônimo cresceu no final e surpreendeu ao alcançar 49,45% dos votos válidos — o que parecia improvável até uma semana antes da eleição — e evitar a vitória de ACM Neto no primeiro turno, que tinha 40,80% dos votos. O primeiro turno ocorreu no último domingo (2).

Dos três maiores candidatos, quem ficou de fora da disputa foi o candidato de Jair Bolsonaro (PL) e ex-ministro da Cidadania, João Roma (PL), que era um das apostas do presidente para tentar vencer na região Nordeste.

A dificuldade do PT de vencer na primeira rodada da disputa pode ser explicada pelo imbróglio na definição do nome. Jerônimo foi escolhido como candidato apenas após a desistência de Jaques Wagner, já este ano, de concorrer pelo grupo. Essa é a primeira eleição que ele disputa.

Questão racial pautou parte da disputa

Jerônimo começou a disputa bem atrás nas pesquisas, mas foi impulsionado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele deu uma arrancada na reta final no primeiro turno e conseguiu uma quantidade de votos capaz de levá-lo ao segundo turno.

Lula, por sinal, decidiu ir na sexta-feira (30) a Salvador e realizou um ato público com Jerônimo, tentando impulsionar o candidato baiano — o que parece ter dado certo.

A Bahia é um estado estratégico para o PT: o partido governa lá desde 2007 e tem no local o seu maior reduto do país em tempo de governos seguidos e em população governada.

Já ACM Neto se esquivou de nacionalizar a campanha: evitou declarar apoio a Soraya Thronicke (União Brasil), candidata à Presidência pelo seu partido, e buscou se distanciar da polarização entre as candidaturas de Lula e do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Também na reta final da campanha, a Justiça Eleitoral puniu a coligação de ACM Neto e suspendeu quase 10 mil segundos (cerca de 166 minutos ou quase três horas) do seu tempo de propaganda no rádio e na TV.

A maior polêmica envolveu o fato de ACM Neto ter se autodeclarado pardo ao TSE, o que gerou controvérsias entre o eleitorado da Bahia, que tem população predominantemente autodeclarada negra.

No Brasil, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a população negra é formada pela soma daqueles que se autodeclaram pretos e pardos. Em entrevista a uma emissora baiana, ele afirmou que se considera pardo, mas não negro, e disse que a classificação do IBGE para a população negra no país é um “erro” do instituto, e não dele.

Fonte: UOL