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Justiça manda a júri homem acusado de atropelar e arrastar ex-namorada por mais de 1 km em São Paulo

A Justiça de São Paulo decidiu levar a julgamento pelo Tribunal do Júri o caso envolvendo Douglas Alves da Silva, de 26 anos, acusado de atropelar, arrastar e provocar a morte de Tainara Souza Santos, de 31 anos. A decisão foi tomada nesta segunda-feira (25), após audiência sobre o caso.

Douglas responde pelo crime de feminicídio e está preso desde o dia 30 de novembro, menos de 24 horas após o ocorrido. A defesa informou que não concorda com a decisão judicial e já apresentou recurso.

Ao jornal Folha de S.Paulo, o advogado Marcos Tavares Leal afirmou que não há comprovação de relação entre o acusado e a vítima, fator que, segundo ele, influenciaria na caracterização do crime.

Segundo a investigação, Tainara foi atropelada ao deixar um bar na zona norte da capital paulista. Imagens registraram o momento em que a vítima foi arrastada por mais de um quilômetro, da Rua Manguari até a Avenida Morvan Dias de Figueiredo, na Marginal Tietê.

Após o atropelamento, o motorista deixou o local sem prestar socorro, mas foi localizado e preso horas depois.

Testemunhas relataram à polícia que Douglas conhecia Tainara e que os dois teriam tido um relacionamento anterior. Depoimentos também apontam que houve uma discussão pouco antes do crime.

Uma testemunha afirmou que o acusado teria acionado o freio de mão do veículo para aumentar o atrito e intensificar os ferimentos da vítima. Pessoas que estavam no local tentaram impedir a ação, mas, segundo relatos, o motorista acelerou o carro.

Inicialmente tratado como tentativa de feminicídio, o caso foi reclassificado como feminicídio consumado após a morte de Tainara. A denúncia apresentada pelo Ministério Público foi aceita pela Justiça, tornando Douglas réu no processo.

A Polícia Civil sustenta que o crime pode ter sido motivado por ciúmes. Conforme a investigação, o acusado teria se irritado ao ver Tainara acompanhada de outro homem.

Em depoimento, Douglas afirmou que a confusão começou após um desentendimento envolvendo um amigo dele e o homem que estava com a vítima. Segundo o acusado, ele tentou intervir e acabou atingido por uma garrafa.

Ainda de acordo com a versão apresentada, já dentro do carro, ele teria visto Tainara caminhando e decidido “dar um susto”. Douglas alegou que a vítima teria se lançado contra o veículo.

O acusado também declarou que percorreu mais de um quilômetro sem perceber que a mulher estava presa ao carro, afirmando que o som alto e os vidros fechados impediram que notasse a situação.

A versão foi contestada pela defesa de outro envolvido no caso, que classificou o relato como fantasioso e apresentado para afastar responsabilidade criminal.

Os advogados de Douglas negam a hipótese de feminicídio motivado por ciúmes e sustentam que não houve relacionamento entre ele e a vítima. A defesa também afirmou que o acusado não resistiu à prisão e estava desarmado em um quarto de hotel no momento em que foi detido.

Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados pelo telefone 190 em situações de emergência. A Lei Maria da Penha prevê mecanismos de proteção para vítimas de violência doméstica e familiar no Brasil.

Com informações do Bnews

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