A população que depende do Sistema Único de Saúde (SUS) para fazer tratamento sofre não apenas com a demora no atendimento, mas também o acesso a determinados medicamentos. E essa situação se agrava quando se trata do paciente oncológico que depende de muitos remédios caros.
De acordo com um levantamento da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma) divulgado em julho aponta que mesmo um medicamento já constando na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME) do SUA não significa que o paciente vá ter acesso.
O levantamento analisou 112 princípios ativos utilizados contra o câncer e, destes, 71 aparecem nas duas listas. Entretanto, 12,7% desses medicamentos, embora considerados essenciais pelas duas listas, ainda não estão disponíveis para os pacientes brasileiros.
O estudo também identificou que outros 13 medicamentos essenciais recomendados pela OMS não fazem parte da RENAME e que, entre os 28 medicamentos exclusivos da lista brasileira, metade ainda não havia sido disponibilizada à população.
Para Helaine Capucho, diretora de Acesso da Interfarma, os resultados mostram que o país precisa avançar para além da incorporação de medicamentos e garantir que os tratamentos cheguem efetivamente aos pacientes. “Na oncologia, cada etapa da jornada faz diferença. Quando um medicamento é reconhecido como essencial, espera-se que ele esteja disponível em tempo oportuno para quem precisa iniciar o tratamento. O que o estudo mostra é que ainda existe uma distância importante entre o reconhecimento da importância dessas terapias e o acesso efetivo pelos pacientes”, destacou Helaine.
O caminho do novo remédio até o paciente:
Incorporação: avaliação das evidências e decisão sobre a entrada da tecnologia no SUS.
Definição de responsabilidades: são estabelecidas atribuições relacionadas à compra, armazenamento e dispensação.
Protocolos clínicos: quando necessário, são elaboradas ou atualizadas as regras para utilização do tratamento.
Financiamento e negociação: são definidos recursos e condições para aquisição.
Compra: ocorre a aquisição dos medicamentos.
Distribuição: o produto precisa chegar aos serviços responsáveis pelo atendimento.
Oferta: o tratamento fica efetivamente acessível aos pacientes.
Com informações do Bnews





