O cantor Natanzinho Lima se consolidou como o artista que mais recebeu recursos públicos para a realização de shows no Brasil nos últimos anos. De acordo com um levantamento do observatório De Olho nos Ruralistas, divulgado pelo portal The Intercept Brasil, o fenômeno do arrocha acumulou a marca de R$ 158,2 milhões em contratos firmados com gestões municipais e estaduais entre janeiro de 2024 e março de 2026.
O valor coloca o sergipano isolado no topo da lista dos 100 cantores e bandas que mais faturaram com verba pública no país. Ao todo, a soma das contratações desse grupo seleto ultrapassou a casa dos R$ 5 bilhões no período analisado.
Quem completa o pódio
Logo atrás de Natanzinho Lima, o segundo lugar do ranking é ocupado pelo cantor Henry Freitas, que garantiu R$ 125,9 milhões em apresentações bancadas por cofres públicos. Fechando o pódio das contratações milionárias aparece o veterano Wesley Safadão, em terceiro lugar, somando R$ 113,1 milhões em contratos públicos.
O “Top 5” das maiores arrecadações com dinheiro público traz ainda o sanfoneiro Tarcísio do Acordeon na quarta colocação (R$ 111,5 milhões) e a dupla de forró Iguinho e Lulinha em quinto (R$ 111,1 milhões). A Bahia também marca forte presença no ranking geral, destacando Léo Santana na 8ª posição com R$ 101,6 milhões e Pablo em 9º lugar, acumulando R$ 99,4 milhões.
Confira o Top 10 dos artistas que mais receberam verba pública (2024–2026):
- Natanzinho Lima: R$ 158,2 milhões
- Henry Freitas: R$ 125,9 milhões
- Wesley Safadão: R$ 113,1 milhões
- Tarcísio do Acordeon: R$ 111,5 milhões
- Iguinho e Lulinha: R$ 111,1 milhões
- Seu Desejo: R$ 102,8 milhões
- Maiara e Maraisa: R$ 101,8 milhões
- Léo Santana: R$ 101,6 milhões
- Pablo: R$ 99,4 milhões
- Xand Avião: R$ 98,3 milhões
Prefeituras de direita e a força do agronegócio
Os dados detalhados pela reportagem do The Intercept Brasil revelam que 77% das contratações dos 40 artistas mais pagos em 2025 foram concentradas por prefeituras geridas por partidos classificados no relatório como de direita, com destaque para siglas como PSD, União Brasil e PP.
Embora os ritmos do arrocha e do forró dominem os primeiros lugares do ranking geral, a música sertaneja impera absoluta quando o recorte é voltado para eventos ligados ao agronegócio, como feiras, rodeios e vaquejadas. Nesse segmento, Zezé Di Camargo lidera o faturamento com R$ 33,56 milhões recebidos de cofres públicos, seguido por Maiara & Maraisa (R$ 32,75 milhões) e Ana Castela (R$ 28,13 milhões).
O levantamento traz ainda uma comparação sobre o volume financeiro: apenas os 40 primeiros colocados da lista custaram R$ 3,08 bilhões aos cofres públicos em contratos diretos — montante muito próximo a tudo o que foi captado via renúncia fiscal pela Lei Rouanet em 2025 (R$ 3,41 bilhões).
Com informações do Bnews





