Ogoverno Lula planeja prorrogar o “Desenrola 2.0”, programa de renegociação de dívidas bancárias para pessoas físicas, que encerraria em 3 de agosto. A extensão mínima prevista é de 30 dias, mas fontes da área econômica indicam que um prazo de dois meses está na mesa.
O programa, lançado em maio na versão chamada “Desenrola Famílias”, já registrou 3,6 milhões de operações envolvendo R$ 22 bilhões em dívidas originais, num contexto de endividamento crescente das famílias brasileiras.
O programa foi lançado em maio com previsão inicial de 90 dias de funcionamento. A decisão de estendê-lo reflete tanto a demanda represada por renegociações quanto a avaliação do governo de que o prazo original não foi suficiente para alcançar o universo de endividados que o programa pretende atender.
Resultados e alcance do programa até o momento
Até o dia 23 de julho, o “Desenrola 2.0” havia registrado 3,6 milhões de operações de renegociação, envolvendo R$ 22 bilhões em dívidas originais. Após os descontos, que podem chegar a 90%, o volume total caiu para cerca de R$ 4 bilhões, o que representa redução expressiva no peso das dívidas para as famílias participantes.
O programa abrange dívidas de pessoas físicas em cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC), contratadas até 31 de janeiro de 2026 e com atraso entre 91 dias e dois anos. As condições incluem taxa máxima de juros de 1,99% ao mês e prazo de até 48 meses para pagamento.
A opção de usar parte do saldo do FGTS para amortizar ou quitar dívidas tem tido adesão baixa: foram apenas 110 mil operações, totalizando R$ 62,2 milhões utilizados até o momento.
Na vertente para empresas, o “Desenrola Empresas” apresentou resultados ainda mais volumosos: foram renegociados R$ 25 bilhões em dívidas, sendo a maior parte via Pronampe, com R$ 23,4 bilhões em 159 mil operações, e R$ 1,6 bilhão via Procred em 41 mil operações.
Objetivos da prorrogação
A prorrogação ocorre num cenário de alto endividamento e elevado comprometimento de renda das famílias brasileiras. Na avaliação do governo, esse quadro vinha gerando riscos para a economia a médio e longo prazos.
A lógica do programa é que os bancos renegociem os débitos e abram uma nova dívida, menor, para as famílias, com garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO).
O mecanismo reduz o risco de inadimplência para as instituições financeiras e, em tese, recupera a capacidade de consumo das famílias a médio prazo.
Com informações da Revista Fórum





