A empresa de tecnologia Meta Platforms foi processada nos Estados Unidos sob acusação de expor pessoas em situações íntimas ao permitir que funcionários terceirizados acessassem imagens registradas por seus óculos inteligentes, incluindo o modelo Ray-Ban Meta. A ação foi protocolada na quarta-feira (4) em um tribunal da Califórnia.
Segundo o processo, os registros analisados por trabalhadores incluem cenas de pessoas no banheiro, momentos de intimidade sexual, além de imagens que mostram dados bancários e mensagens privadas. A acusação afirma que a empresa teria feito propaganda enganosa e violado leis de privacidade ao vender o produto como seguro para os usuários.
As informações surgiram após reportagem publicada por veículos de imprensa da Suécia, entre eles o jornal Svenska Dagbladet e o Göteborgs-Posten, que detalharam a rotina de trabalhadores responsáveis por analisar as imagens geradas pelos dispositivos.
De acordo com as reportagens, funcionários da empresa terceirizada Sama, sediada no Quênia, têm acesso a registros captados pelos óculos para descrever o conteúdo das imagens e, assim, treinar os sistemas de inteligência artificial da Meta. Esses trabalhadores são chamados de “anotadores de dados” e ajudam a tecnologia a reconhecer objetos, ambientes e falas presentes nos vídeos.
Relatos de funcionários indicam que, durante o trabalho, eles acabam visualizando cenas privadas registradas pelos dispositivos. Entre os exemplos citados estão vídeos de pessoas se despindo, entrando no banheiro ou mantendo relações sexuais, além de situações em que os óculos permanecem gravando após serem deixados em superfícies, como mesas de cabeceira.
Nos termos de uso do produto, a Meta informa que pode analisar interações dos usuários com sistemas de inteligência artificial, incluindo conversas, mensagens e imagens, por meio de processos automatizados ou revisão humana. A empresa afirma também que as imagens passam por um processo de borramento para proteger a identidade das pessoas. No entanto, fontes ouvidas pela imprensa sueca afirmam que o filtro nem sempre impede a identificação de rostos.
O caso também chamou a atenção do órgão regulador de dados do Reino Unido, o Information Commissioner’s Office (ICO). A entidade informou que deve solicitar esclarecimentos à empresa e destacou que dispositivos que processam dados pessoais precisam garantir transparência sobre a coleta e o uso das informações.
Em nota, a Meta afirmou que o processamento das imagens segue seus termos de serviço. A empresa também declarou que os óculos inteligentes não realizam gravação contínua, sendo ativados apenas após o acionamento de um botão físico ou comando de voz pelo usuário.
Com informações do A Tarde





