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Mulher fica grávida de dois homens ao mesmo tempo; entenda por que isso pode se tornar comum

Um caso incomum registrado no Universidade Nacional da Colômbia trouxe à tona um fenômeno raro da genética humana: gêmeos gerados pela mesma mãe, no mesmo parto, mas com pais diferentes. A ocorrência foi identificada em 2018 durante análises conduzidas pelo Laboratório de Genética de Populações e Identificação da instituição.

A mulher procurou o laboratório para realizar um teste de paternidade de rotina, a fim de confirmar a filiação dos filhos, nascidos dois anos antes. O resultado inicial indicou que apenas um dos gêmeos apresentava compatibilidade genética com o homem apontado como pai. Diante da inconsistência, os pesquisadores repetiram o exame, desde a coleta do material genético, mas chegaram ao mesmo resultado.

O caso foi acompanhado pelo geneticista William Usaquén, diretor do laboratório, que afirmou nunca ter presenciado situação semelhante em mais de duas décadas de atuação. Segundo ele, trata-se de um exemplo de superfecundação heteropaternal, fenômeno em que dois óvulos liberados no mesmo ciclo menstrual são fecundados por espermatozoides de homens diferentes.

O procedimento seguiu protocolos padrão de testes de paternidade, com análise de marcadores genéticos conhecidos como microssatélites. Os cientistas compararam amostras de DNA da mãe, dos filhos e do suposto pai em 17 pontos distintos do material genético. Enquanto um dos bebês apresentou compatibilidade completa, o outro não correspondeu aos padrões esperados.

De acordo com os pesquisadores, a ocorrência desse fenômeno depende de uma combinação pouco comum de fatores biológicos: a liberação de mais de um óvulo no mesmo ciclo, relações sexuais com parceiros diferentes em um curto intervalo de tempo e a fecundação independente de cada óvulo.

A pesquisadora Andrea Casas explicou que a liberação dos óvulos pode não ocorrer simultaneamente, o que amplia, ainda que de forma limitada, a possibilidade do evento. O período fértil para fecundação dos óvulos varia entre 24 e 36 horas.

Registros científicos apontam que casos como esse são extremamente raros. Um levantamento citado pelos pesquisadores identificou apenas três ocorrências em cerca de 39 mil testes de paternidade analisados.

Os especialistas destacam que muitos casos podem não ser detectados, já que nem todas as famílias realizam exames de paternidade. Com o avanço das tecnologias genéticas e o aumento da procura por esse tipo de análise, a identificação de situações semelhantes pode se tornar mais frequente.

As informações são do Bnews

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