POLÍTICA

Flávio Bolsonaro está “guardando lugar para outra candidatura”, diz Rui Falcão

O Fórum Onze e Meia desta terça-feira (16) recebeu o deputado federal Rui Falcão (PT-SP) para analisar os cenários para as eleições do próximo ano e o clima no Congresso Nacional diante da ofensiva da extrema direita e do Centrão com projetos que atacam a democracia, como o projeto de lei (PL) da “Dosimetria”, que reduz penas dos condenados por tentativa de golpe de Estado.

Em relação às eleições do próximo ano, Rui debateu a indicação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como substituto de seu pai, Jair Bolsonaro (PL), contrariando as especulações de que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) seria a indicação do ex-presidente.

No entanto, para o deputado, Flávio “parece mais estar guardando o lugar para vinda de outra candidatura”, que seria a de Tarcísio, de acordo com Rui.

“Veja como foi recebida a candidatura do ’01’ no ato da Paulista. Ele foi praticamente ignorado. As pessoas da esquerda que estavam lá sequer o mencionaram. Ele parece mais estar guardando o lugar para vinda de outra candidatura”, afirma o deputado.

Rui acrescenta que as manifestações de líderes do PP, do União Brasil e do próprio Tarcísio indicam que haverá outros candidatos. “Tarcísio, após quatro dias de silêncio, disse que apoia o 01, mas falou em seguida que haverá outras candidaturas. Ou seja, é um apoio protocolar”, diz Rui.

Além disso, o deputado também cita a reação negativa do mercado com a queda da Bolsa de Valores e alta do dólar.

Rui também destaca a declaração da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que afirmou não ter sido consultada sobre a candidatura de Flávio. “Ora, se sequer há consenso explícito dentro da família, como é que ele pode pleitear uma candidatura presidencial caminhando para derrota?”, questiona o deputado.

Portanto, o parlamentar acredita ser mais provável, até abril, haver um forte movimento para mudar a candidatura indicada por Bolsonaro. “Em todos os momentos se menciona a maior viabilidade eleitoral para que a oposição da direita, da centro-direita, seja dirigida para o atual governador de São Paulo.”

Rui ainda acrescenta que ele não está entre os que acham que a eleição presidencial do próximo ano está “decidida”. Ele afirma que confia na vitória de Lula, mas que isso vai exigir uma campanha “de guerra”. “Porque nós vamos ter objeção de vários partidos do grande capital e de influência externa”, diz o deputado.

“Veja como está sendo saudado, pela grande mídia, o conjunto de vitórias eleitorais da direita no continente. Nós estamos ficando isolados aqui. O que vai requerer, inclusive, iniciativa do nosso presidente, daquela proposta de unidade continental, de chamar para evitar a intervenção americana na Venezuela. Vai ser uma eleição desse tipo”, complementa Rui.

O deputado finaliza ressaltando que confia na vitória, mas que ela não será a mesma dependendo do candidato, e que a eleição mais difícil será com a disputa contra Tarcísio.

PL da Dosimetria ‘está morto este ano’
O deputado também falou sobre o PL da Dosimetria, aprovado na Câmara dos Deputados e previsto para ir à votação no Senado nesta quarta-feira (16). Rui destacou que o projeto aprovado abre margem para a diminuição de penas e soltura de pessoas que cometeram crimes como crimes sexuais, crimes de extrema violência, crimes ambientais, entre outros.

“Essa primeira questão levou, inclusive, o presidente da CCJ e o senador Alexandre Vieira a dizerem que vão votar contra”, afirmou Rui, acrescentando que certamente o projeto sofrerá modificações no Senado.

Portanto, o deputado afirma que, se o texto sofrer qualquer tipo de modificação, ele terá que voltar para a Câmara, o que impede sua aprovação ainda em dezembro. “Então, para esse ano, esse projeto está morto”, afirma Rui.

O deputado ainda informou que há um detalhe de que o governo não liberou a bancada da PT, como fez com o ainda texto do projeto. “Agora não, agora o líder do governo, falando em nome do presidente Lula, se manifestou contra o projeto da ‘meia anistia’. Portanto, por consequência, se o governo falou contra, o presidente Lula, ao examinar o projeto, certamente vai vetá-lo.

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