Os atos convocados por apoiadores do bolsonarismo têm enfrentado baixa adesão e passaram a expor dificuldades para a mobilização da direita às vésperas das eleições de 2026. O cenário também coloca pressão sobre a pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que tenta se consolidar como principal nome do campo bolsonarista na disputa pela Presidência.
As manifestações realizadas em diferentes cidades tiveram público abaixo do esperado pelos organizadores. Na Avenida Paulista, em São Paulo, um dos principais pontos de mobilização do bolsonarismo, o ato reuniu cerca de 20,4 mil pessoas, segundo levantamento do Monitor do Debate Político da USP. No Rio de Janeiro, foram aproximadamente 4,7 mil participantes em Copacabana, número apontado como um dos menores registrados em manifestações da direita na região.
Flávio Bolsonaro participou do ato em São Paulo e concentrou seu discurso em críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). O senador, porém, não apresentou uma agenda ampla de propostas durante a manifestação. Antes do evento, afirmou que a pauta seria centrada em mensagens como “Fora, Lula” e “Fora ministros do Supremo”.
O esvaziamento das manifestações ocorre em meio à disputa pelo espaço político da direita para a eleição presidencial. Além de Flávio, outros nomes do campo conservador buscam se apresentar como alternativas para a sucessão de Jair Bolsonaro, entre eles governadores como Ronaldo Caiado (PSD-GO) e Romeu Zema (Novo-MG).
A situação também evidencia divergências dentro do próprio bolsonarismo. A pré-campanha de Flávio enfrenta a necessidade de manter a mobilização da base construída por Jair Bolsonaro, enquanto diferentes grupos disputam protagonismo e espaço na corrida presidencial.
Os atos de março também foram marcados pela ausência de propostas relacionadas a temas como economia, saúde e educação, com discursos concentrados em ataques ao governo Lula, ao STF e na defesa de pautas ligadas ao bolsonarismo.
No ambiente político, o resultado das manifestações provocou reações de adversários. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), classificou os atos como esvaziados e afirmou que o movimento bolsonarista estaria perdendo capacidade de mobilização.
Com a eleição presidencial se aproximando, a capacidade de reunir apoiadores em atos públicos passou a ser um dos elementos observados na disputa interna da direita. Para Flávio Bolsonaro, os eventos representam uma oportunidade de demonstrar força política, mas os baixos números de participação também alimentam questionamentos sobre o alcance atual da mobilização bolsonarista.
Com informações da Revista Fórum





