POLÍTICA

Ex-comandante da Aeronáutica revela carta que escreveu para caso de golpe de Estado em 2022

O ex-comandante da Aeronáutica Carlos de Almeida Baptista Júnior revelou uma carta que havia preparado para o caso de ocorrer uma ruptura institucional no fim de 2022, após a derrota de Jair Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais. O conteúdo será publicado no livro “Eu disse não! Uma trincheira antigolpista”, previsto para chegar às livrarias em setembro.

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Na carta, Baptista Júnior descreve o período como uma espécie de “guerra psicológica” e afirma que manter o equilíbrio diante das pressões era um dos maiores desafios enfrentados por um militar comprometido com as instituições. O relato faz parte do livro em que o ex-comandante apresenta sua versão sobre os bastidores das discussões ocorridas no governo Bolsonaro após o resultado das eleições de 2022.

Baptista Júnior comandava a Força Aérea Brasileira (FAB) durante o período de tensão entre integrantes do governo, militares e instituições. Em entrevistas recentes, ele afirmou que o país esteve próximo de uma ruptura institucional e relatou ter temido uma eventual divisão dentro das Forças Armadas caso alguma tropa adotasse uma iniciativa contrária à posição legalista do então comandante do Exército, general Freire Gomes.

Segundo o ex-comandante, as pressões sobre os chefes militares aumentaram após a derrota de Bolsonaro. Ele também relatou que o então presidente tentou pressioná-lo durante reuniões no Palácio da Alvorada. Em um dos encontros, segundo Baptista Júnior, Bolsonaro teria dito: “BJ, eu já te dei dois cartões amarelos”.

O brigadeiro também afirmou que participou, em agosto de 2022, de um encontro reservado com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), chefes das Forças Armadas e o então procurador-geral da República, Augusto Aras. Segundo ele, o objetivo era alertar para o aumento das tensões institucionais e buscar uma atuação conjunta para reduzir o risco de ruptura.

As declarações de Baptista Júnior também se relacionam às investigações sobre a tentativa de golpe de Estado. Em depoimento à Polícia Federal, o então comandante da Aeronáutica confirmou ter participado de uma reunião no Ministério da Defesa, em dezembro de 2022, na qual os comandantes das Forças Armadas tiveram contato com uma minuta que previa medidas de exceção.

Baptista Júnior e Freire Gomes se posicionaram contra a adoção de medidas fora da legalidade. O ex-comandante da Aeronáutica também afirmou que não havia embasamento técnico em um relatório produzido pelo Instituto Voto Legal que questionava o resultado das eleições de 2022.

O livro “Eu disse não! Uma trincheira antigolpista” deve reunir outros relatos do militar sobre as pressões sofridas pela cúpula das Forças Armadas, as reuniões realizadas no fim do governo Bolsonaro e os episódios que marcaram o período entre a eleição de Lula e a posse do novo presidente.

Com informações do Bnews

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