A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito declarou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2026. A posição foi divulgada em carta aberta aprovada pelo movimento, formado por pastores e teólogos de diferentes regiões do país. O documento também apresenta críticas à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Segundo a Frente, o apoio a Lula está relacionado à defesa da democracia, das instituições e dos direitos fundamentais. O grupo afirma que a decisão não representa uma perda de independência política do movimento, mas uma tomada de posição diante do cenário eleitoral.
Na carta, os integrantes afirmam que não é possível “normalizar” forças políticas que, segundo a avaliação do grupo, atacam instituições, questionam resultados eleitorais, estimulam a violência ou ameaçam direitos fundamentais. O documento também utiliza referências bíblicas para sustentar a posição.
A Frente faz uma avaliação crítica da candidatura de Flávio Bolsonaro e associa o projeto político do senador a uma agenda que considera autoritária e voltada ao favorecimento dos mais ricos. O movimento também destaca a atuação de Lula na defesa da soberania brasileira e das instituições democráticas.
O apoio ocorre em um momento em que o eleitorado evangélico é considerado estratégico para a disputa presidencial. Pesquisas recentes mostram Flávio Bolsonaro com ampla vantagem sobre Lula nesse segmento. Levantamento do Datafolha realizado em 18 e 19 de agosto apontou Flávio com 62% das intenções de voto entre evangélicos, contra 29% de Lula em um eventual segundo turno.
A declaração da Frente representa, portanto, um movimento de setores progressistas do segmento evangélico em direção à candidatura de Lula, enquanto lideranças religiosas conservadoras têm demonstrado maior proximidade com Flávio Bolsonaro.
Disputa pelo voto evangélico
A aproximação de Lula com o eleitorado evangélico vem sendo ampliada ao longo da campanha. O presidente e seus aliados têm buscado dialogar com diferentes grupos religiosos, mas a estratégia procura evitar a transformação dos púlpitos em espaços de campanha.
O PT também divulgou, em junho, uma carta direcionada aos evangélicos, abordando temas como democracia, justiça social, violência contra a mulher e ações do governo. O documento evitou questões que costumam provocar maior resistência entre setores conservadores das igrejas, como aborto e direitos da população LGBTQIA+.
A declaração da Frente ocorre poucos dias depois de uma pesquisa mostrar a força de Flávio entre os evangélicos. Ao mesmo tempo, Lula mantém vantagem em outros segmentos do eleitorado, como mulheres, pessoas negras, católicos e eleitores de menor renda.
Com a campanha eleitoral avançando, a disputa pelo voto evangélico se consolida como um dos principais campos de batalha entre Lula e Flávio Bolsonaro. A manifestação da Frente acrescenta um novo elemento ao embate ao mostrar que o segmento religioso não possui uma posição política única e reúne grupos que defendem projetos distintos para o país.
Com informações da Revista Fórum





