A prisão do consultor político argentino Fernando Cerimedo na Bolívia voltou a colocar sob pressão a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). Em publicação no Blog do Rovai, da Revista Fórum, o caso é apontado como uma fonte de preocupação para o candidato, diante das relações de Cerimedo com integrantes da família Bolsonaro e de informações sobre sua possível atuação na eleição brasileira de 2026.
Cerimedo foi preso em 18 de agosto, na Bolívia, sob acusação de envolvimento em uma tentativa de homicídio contra sua ex-companheira, a advogada Nadia Beller. Ele nega as acusações. Beller, que está grávida, foi baleada em uma emboscada em Santa Cruz de la Sierra e sobreviveu ao ataque.
O caso ganhou dimensão política após Beller afirmar que Cerimedo teria dito que iria “lutar” pela candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Segundo o relato da advogada, ela perguntou ao consultor se o senador teria chances na eleição e recebeu como resposta que eles iriam lutar pela candidatura. A campanha de Flávio foi questionada sobre eventual relação com Cerimedo, mas não havia apresentado resposta oficial até a publicação da reportagem.
Relação com Eduardo Bolsonaro
A proximidade de Cerimedo com a família Bolsonaro não é recente. O consultor argentino é apontado como amigo de Eduardo Bolsonaro e ganhou notoriedade no Brasil em 2022 após divulgar conteúdos que questionavam a confiabilidade das urnas eletrônicas e sustentavam alegações de fraude eleitoral posteriormente contestadas por especialistas.
Em julho deste ano, Cerimedo participou de uma transmissão ao vivo com Eduardo Bolsonaro na qual os dois voltaram a levantar suspeitas sobre o sistema eleitoral brasileiro. O argentino foi indiciado pela Polícia Federal no inquérito que investigou a tentativa de golpe de Estado, mas não foi incluído na denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República.
Também veio à tona um vídeo gravado em fevereiro, durante um evento em Mar-a-Lago, nos Estados Unidos. Na ocasião, Eduardo apresentou Cerimedo ao público e afirmou que o consultor havia ajudado o Brasil ao divulgar suas alegações sobre as eleições de 2022. Na mesma ocasião, Eduardo afirmou que venceria as eleições de outubro com o irmão Flávio.
Estrutura digital sob atenção
Outro ponto que passou a chamar atenção das autoridades e da imprensa é a atuação de Cerimedo com estruturas digitais automatizadas. O consultor já admitiu ter utilizado contas automatizadas para interferir nos algoritmos das redes sociais e aumentar artificialmente o alcance de determinadas publicações.
Segundo relato de Nadia Beller à imprensa, Cerimedo manteria estruturas desse tipo na Bolívia e na Argentina. O consultor, por sua vez, nega que os equipamentos encontrados pelas autoridades fossem utilizados ilegalmente e afirma que se tratava de modems móveis sem finalidade ilícita.
Cerimedo também trabalhou na campanha do presidente argentino Javier Milei e manteve relações com setores da direita latino-americana. Sua atuação internacional e os vínculos com grupos políticos ampliaram a repercussão da prisão para além do caso criminal investigado na Bolívia.
Pressão sobre a campanha
A possibilidade de Cerimedo ter planejado atuar na campanha de Flávio Bolsonaro coloca um novo elemento no cenário eleitoral. Até o momento, não há confirmação pública de que ele tenha integrado oficialmente a equipe do candidato ou participado formalmente de sua campanha.
O episódio, porém, aumenta a atenção sobre as relações entre o núcleo bolsonarista e operadores políticos estrangeiros envolvidos em estratégias digitais. Para Flávio, o caso ocorre em meio à tentativa de consolidar sua candidatura à Presidência e ampliar sua presença no eleitorado nacional.
As acusações contra Cerimedo permanecem sob investigação na Bolívia, e ele nega envolvimento na tentativa de homicídio. Eventuais vínculos eleitorais com Flávio também ainda precisam ser esclarecidos.
Com informações da Revista Fórum





