O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, firmou acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e relatou aos investigadores que recursos de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, foram utilizados para realizar repasses ao Havengate Development Fund, fundo ligado a Paulo Calixto, advogado e aliado de Eduardo Bolsonaro.
Segundo as informações divulgadas pelo Diário do Centro do Mundo, o valor movimentado para o fundo chegou a cerca de US$ 10 milhões. A estrutura financeira passou a ser investigada em razão de sua relação com o financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.
Freixo é apontado como um dos operadores que teriam viabilizado as movimentações financeiras determinadas por Vorcaro. De acordo com seu relato, sua empresa, a Entre Investimentos, foi utilizada para operacionalizar transferências e outras operações financeiras solicitadas pelo empresário. A Polícia Federal já havia identificado a companhia como uma estrutura utilizada pelo grupo de Vorcaro para determinadas transações.
As declarações do empresário também envolvem operações com dinheiro em espécie. Em sua colaboração, Freixo teria afirmado que movimentava grandes quantias a mando de Vorcaro, inclusive transportando valores em malas. Parte das operações teria relação com recursos posteriormente enviados ao exterior.
O Havengate Development Fund ganhou destaque nas investigações após ser identificado como o fundo que recebeu recursos destinados à produção de Dark Horse. O fundo é administrado por Paulo Calixto, advogado ligado a Eduardo Bolsonaro. Flávio Bolsonaro já reconheceu que Calixto administra a estrutura que recebeu recursos de Vorcaro para o projeto cinematográfico.
As movimentações financeiras passaram a ser analisadas pela Polícia Federal para determinar a origem e o destino dos valores. Entre os pontos investigados está a possibilidade de que os recursos enviados ao exterior tenham sido efetivamente utilizados na produção do filme ou tenham tido outra destinação.
O caso ganhou ainda mais repercussão depois da divulgação de conversas nas quais Flávio Bolsonaro aparece negociando recursos com Vorcaro para a realização do longa. Segundo informações divulgadas anteriormente, Vorcaro teria realizado pagamentos que somaram aproximadamente US$ 12,3 milhões para o fundo relacionado ao projeto.
A colaboração de Freixo ainda depende de análise judicial. O acordo firmado com a PGR está sob avaliação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Como ocorre em acordos de delação premiada, os relatos apresentados pelo colaborador precisam ser confrontados com outros elementos de prova para confirmar as informações e determinar eventuais responsabilidades.
O depoimento acrescenta novos detalhes às investigações sobre a relação financeira entre Vorcaro, o grupo ligado ao filme Dark Horse e pessoas próximas à família Bolsonaro. Até o momento, a existência das movimentações e dos contatos investigados não significa, por si só, comprovação de crime por parte dos citados.
Com informações do DCM





