O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) utilizou seu discurso de abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira (22), para defender a soberania brasileira e criticar interferências estrangeiras no processo eleitoral do país. Embora não tenha citado Donald Trump diretamente nesse trecho, a fala ocorreu em meio às tensões entre Brasil e Estados Unidos e às declarações do presidente norte-americano sobre o cenário político brasileiro.
Lula afirmou que a democracia brasileira pertence aos brasileiros e declarou que o país não aceitará interferências externas. Em outro momento, disse que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém”, reforçando a defesa da autonomia nacional.
O presidente também afirmou que as eleições de outubro representam uma escolha entre democracia e negacionismo e criticou candidatos que, segundo ele, buscam apoio ou alinhamento com interesses estrangeiros. Sem mencionar nominalmente Flávio Bolsonaro, Lula afirmou que alguns candidatos utilizam a liberdade de expressão para se alinhar a interesses externos que considera contrários aos interesses nacionais.
A fala ocorre em um contexto de aproximação política entre Donald Trump e setores da oposição brasileira. Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, mantém contatos com o governo norte-americano e esteve com Trump na Casa Branca neste ano. Na noite anterior ao discurso de Lula, uma imagem criada por inteligência artificial mostrando Flávio entregando a faixa presidencial brasileira a Trump foi projetada em pontos de Nova York por uma organização e ativistas brasileiros.
Além da questão eleitoral, Lula criticou a situação atual das Nações Unidas e afirmou que a organização atravessa um dos momentos mais críticos de sua história. Segundo o presidente, a credibilidade da ONU está em baixa e o Conselho de Segurança não tem conseguido cumprir seu papel na prevenção e resolução de conflitos.
O presidente brasileiro também abordou guerras e conflitos internacionais, incluindo Gaza e a Ucrânia, além de defender o multilateralismo e a cooperação entre países. A soberania nacional e a necessidade de combater o crime organizado sem abrir espaço para intervenções externas também estiveram entre os temas da fala.
O discurso aconteceu horas antes da participação de Donald Trump na mesma sessão da Assembleia Geral. A tradição da ONU estabelece que o Brasil seja o primeiro país a discursar no debate geral, seguido pelos Estados Unidos.
A participação de Lula na ONU ocorre a menos de duas semanas das eleições brasileiras e em meio a uma disputa marcada também pela discussão sobre a relação do Brasil com os Estados Unidos. O presidente já havia afirmado, antes da viagem, que pediria a Trump que não interferisse no processo eleitoral brasileiro.
Com informações da Revista Fórum





