POLÍTICA

Quem é o miliciano que negociou emenda com assessora de Flávio Bolsonaro

O nome de Robson Calixto da Fonseca, conhecido como “Peixe”, voltou ao centro das investigações da Polícia Federal após mensagens revelarem que ele negociou, em 2023, a liberação de emendas parlamentares com uma assessora do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Calixto foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por organização criminosa no processo relacionado ao assassinato da vereadora Marielle Franco. 

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Segundo as investigações, Calixto manteve conversas com Maria de Fátima Bezerra Castro, assessora de Flávio, para tratar de recursos destinados ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), localizado na Taquara, Zona Oeste do Rio de Janeiro. A entidade recebeu cerca de R$ 199 mil por meio de uma emenda destinada pelo senador para um projeto esportivo.

Nas mensagens obtidas pela PF, Calixto aparece pedindo ajuda para que o senador liberasse os recursos. Em uma das conversas, a assessora orienta o miliciano a formalizar o pedido por e-mail ou ofício. Em outro momento, ela sugere que ele participe de um evento com Flávio para reforçar pessoalmente a solicitação.

A Polícia Federal identificou Maria de Fátima como “interlocutora direta” de Calixto dentro do gabinete de Flávio Bolsonaro. As conversas prosseguiram por meses, com o miliciano cobrando informações sobre a liberação da verba e pedindo que o senador não esquecesse o projeto do instituto.

Relação com os irmãos Brazão

Calixto foi assessor de Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, e também mantinha atuação política próxima ao então deputado federal Chiquinho Brazão. Os dois irmãos foram condenados pelo STF a 76 anos e três meses de prisão cada um por serem apontados como mandantes do assassinato de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

Em fevereiro de 2026, Calixto foi condenado a nove anos de prisão por organização criminosa no processo relacionado ao caso Marielle. A investigação das emendas, porém, é um procedimento separado e apura possíveis desvios de recursos públicos destinados a organizações ligadas aos irmãos Brazão.

A PF também investiga a aplicação dos recursos destinados ao Ifop. Segundo os investigadores, uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) identificou que parte da verba teria sido utilizada para pagar um escritório de advocacia pertencente aos próprios responsáveis pela entidade, levantando suspeitas sobre a execução do projeto.

Além das negociações envolvendo as emendas, as mensagens mostram a assessora de Flávio pedindo quatro ingressos para um camarote no desfile das campeãs do Carnaval do Rio. A Polícia Federal classificou a solicitação como possível pedido de vantagem indevida.

Flávio Bolsonaro afirmou que a emenda foi destinada dentro da legislação e dos critérios técnicos do Ministério do Esporte. Segundo o senador, a entidade apresentou notas fiscais dos materiais adquiridos e devolveu valores que não foram utilizados. Ele também declarou que eventuais irregularidades devem ser apuradas pelos órgãos de controle.

A investigação continua em andamento. As mensagens e os repasses analisados pela PF registram as tratativas entre a assessora e Calixto, mas a apuração sobre eventual desvio de recursos e a responsabilidade de cada envolvido ainda depende das conclusões das autoridades.

Com informações da Revista Fórum

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