O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o Brasil pretende ampliar o domínio tecnológico sobre as chamadas terras raras e minerais críticos, defendendo que o país não se limite a exportar esses recursos em estado bruto. A declaração ocorre em meio às negociações com os Estados Unidos e ao interesse internacional pelas reservas brasileiras.
Lula afirmou que o Brasil possui condições para desenvolver tecnologia própria e direcionou um recado ao presidente norte-americano Donald Trump. Segundo o presidente brasileiro, se os Estados Unidos estão preocupados com a dependência da China nesse setor, também devem considerar o potencial brasileiro.
“Se o Trump está preocupado com a China, pode começar a estar preocupado com o Brasil”, declarou Lula em reunião com ministros e representantes do setor de mineração.
O presidente defendeu que o país avance no processamento dos minerais dentro do próprio território. A ideia é transformar as riquezas naturais em produtos de maior valor agregado, ampliando a participação brasileira em setores tecnológicos.
Disputa entre EUA e China
As terras raras estão no centro da disputa econômica e tecnológica entre Estados Unidos e China. O conjunto reúne 17 elementos químicos utilizados na fabricação de produtos como motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e componentes de alta tecnologia.
A China possui uma posição dominante no processamento desses minerais, enquanto os Estados Unidos buscam ampliar e diversificar seus fornecedores. O Brasil, por sua vez, possui grandes reservas e tem discutido políticas para desenvolver uma cadeia produtiva nacional.
Em setembro, Lula sancionou a Política Nacional de Minerais Críticos, Estratégicos e Terras Raras. A legislação prevê mecanismos de incentivo à exploração, ao beneficiamento e à industrialização desses recursos no país. Entre as medidas está a criação de um crédito tributário de até R$ 5 bilhões para empresas que investirem no processamento dos minerais em território brasileiro.
Brasil rejeita prioridade estrangeira
Durante as negociações comerciais com o governo Trump, Lula afirmou que o Brasil recebeu propostas que incluíam demandas relacionadas às eleições de 2026 e ao acesso norte-americano a minerais críticos brasileiros. Segundo o presidente, as condições foram consideradas inaceitáveis pelo governo brasileiro.
Lula também afirmou que o Brasil não pretende escolher entre Estados Unidos e China, mas manter autonomia para negociar seus recursos estratégicos.
A discussão sobre as terras raras ganhou espaço justamente por causa do potencial econômico e tecnológico desses minerais. Para o governo brasileiro, o desafio é transformar as reservas existentes em uma cadeia industrial capaz de gerar tecnologia e produtos de maior valor dentro do país, em vez de concentrar a atividade apenas na extração e exportação da matéria-prima.
Com informações da Revista Fórum





