A relação construída ao longo de quase duas décadas entre os ministros Dias Toffoli e André Mendonça voltou ao centro das atenções em meio à crise envolvendo o Banco Master e as disputas internas no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo reportagem do Diário do Centro do Mundo, a postura de Toffoli diante do caso acabou tendo impacto sobre a dinâmica dos julgamentos e ampliou o espaço de atuação de Mendonça.
Toffoli declarou suspeição por “foro íntimo” nos processos relacionados ao caso Master. A decisão ocorreu depois de seu nome aparecer associado, em informações da investigação, a negócios envolvendo o banco e o resort Tayayá, no Paraná. Com o afastamento da relatoria, o caso passou a ser conduzido por Mendonça.
Durante uma sessão realizada em 15 de setembro, Toffoli permaneceu no plenário, mas não participou da votação. De acordo com a reportagem, durante a sessão um assessor entregou a ele um bilhete escrito à mão por Mendonça. Após ler a mensagem, Toffoli respondeu com um sinal positivo. O episódio chamou atenção devido à relação profissional e pessoal construída entre os dois ministros ao longo dos anos.
Relação começou na AGU
A aproximação entre os dois remonta a 2007, quando Toffoli assumiu a Advocacia-Geral da União (AGU), durante o segundo governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Na época, uma mudança implementada na instituição permitiu a promoção de centenas de integrantes da carreira, entre eles Mendonça.
Anos depois, quando Toffoli já ocupava uma cadeira no STF, ele recomendou Mendonça para comandar a AGU durante o governo de Jair Bolsonaro. Em 2019, Mendonça participou, ao lado de Alexandre de Moraes, da organização de um livro em homenagem a Toffoli pelos dez anos do ministro no Supremo.
Em 2021, Toffoli também esteve entre os ministros que avalizaram a indicação de Mendonça para uma vaga no STF. Bolsonaro acabou escolhendo Mendonça, que chegou à Corte após passar pela sabatina no Senado.
Caso Master aproximou os dois novamente
A relação ganhou um novo contexto com a investigação envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro. Após Toffoli deixar a relatoria do caso, Mendonça assumiu a condução de procedimentos relacionados ao banqueiro.
Segundo o DCM, Mendonça passou a tomar decisões envolvendo prisões e diligências relacionadas à investigação. Em março, a Segunda Turma do STF manteve a prisão preventiva de Vorcaro. Em junho, Mendonça renovou prisões de familiares do banqueiro e, em agosto, determinou que a Polícia Federal buscasse identificar um interlocutor de Vorcaro em mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes.
O afastamento de Toffoli também ocorre em um momento de tensão entre o ministro e o presidente Lula. Durante discurso recente, Lula voltou a criticar uma decisão de Toffoli tomada quando o petista estava preso, lembrando que o ministro não autorizou sua saída da prisão para acompanhar o enterro de seu irmão, Genival Inácio da Silva, o Vavá.
Ao mesmo tempo, a relação entre Lula e Mendonça também passou por episódios de tensão. O governo questionou a condução de procedimentos ligados ao caso Master e criticou decisões do ministro. Entre os episódios está o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, medida posteriormente derrubada pelo ministro Flávio Dino.
A reportagem aponta que a proximidade entre Toffoli e Mendonça não significa necessariamente alinhamento político entre os dois. O histórico de relações profissionais, entretanto, passou a ganhar maior atenção diante dos desdobramentos do caso Master e das disputas internas que envolvem o STF.
Com informações do DCM





