Um manifesto publicado nesta quarta-feira (30) pelo jornal francês Le Monde acusa o governo dos Estados Unidos de tentar influenciar a eleição presidencial brasileira em favor de Flávio Bolsonaro (PL). O documento é assinado por 30 intelectuais, artistas, economistas e outras personalidades, entre eles Chico Buarque, o ex-jogador Raí e os economistas Thomas Piketty, Philippe Aghion e Joseph E. Stiglitz, vencedor do Nobel de Economia.
Intitulado “No Brasil, os Estados Unidos procuram influenciar a eleição presidencial, com a cumplicidade de um dos candidatos, Flávio Bolsonaro”, o manifesto afirma que a disputa brasileira possui consequências que ultrapassam as fronteiras do país. Os signatários também pedem atenção da comunidade internacional para o processo eleitoral de 2026.
O texto cita ações do governo de Donald Trump em relação ao Brasil, incluindo tarifas comerciais, sanções contra autoridades brasileiras e a aproximação política com aliados da família Bolsonaro. Os autores também mencionam o encontro entre Trump e Flávio Bolsonaro na Casa Branca como parte do contexto que, segundo eles, indicaria uma tentativa de influência sobre a eleição.
O manifesto ainda recupera episódios do governo Jair Bolsonaro e afirma que a candidatura de Flávio representa a continuidade daquele projeto político. O documento menciona ataques às instituições democráticas, conflitos envolvendo direitos humanos e questões ambientais, além da condenação de Jair Bolsonaro a mais de 27 anos de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe após a eleição de 2022.
Na área econômica, os signatários também criticam propostas atribuídas a Flávio Bolsonaro, citando medidas de austeridade fiscal, privatizações, redução da participação do Estado na economia e diminuição de impostos. Na avaliação apresentada no manifesto, essas políticas poderiam ampliar desigualdades sociais.
A preocupação com uma possível interferência americana também aparece em manifestações de parlamentares dos próprios Estados Unidos. Em setembro, senadores e deputados democratas enviaram cartas ao governo Trump questionando tarifas, sanções e a relação de Washington com Flávio Bolsonaro. Os parlamentares pediram que o governo americano se comprometa a reconhecer o resultado certificado das eleições brasileiras.
No Brasil, a possibilidade de interferência estrangeira também entrou no debate institucional. Um relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) apontou a interferência dos Estados Unidos como uma das possíveis ameaças ao processo eleitoral de 2026. A campanha de Lula acionou o STF e o TSE para pedir investigação sobre o assunto e alegou que Flávio e Eduardo Bolsonaro teriam articulado apoio junto ao governo Trump. Essas acusações são objeto de disputa política e de apuração institucional.
O manifesto internacional é divulgado a poucos dias do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro, e amplia a repercussão internacional sobre a relação entre o governo Trump, Flávio Bolsonaro e o processo eleitoral brasileiro.
Com informações do DCM





