O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) destinou entre R$ 20 mil e R$ 25 mil à Meta para impulsionar, no Facebook e no Instagram, um vídeo em que afirma que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretendia monitorar transações realizadas pelo Pix. Segundo reportagem do Diário do Centro do Mundo, o conteúdo já havia alcançado mais de 1 milhão de usuários e permanecia disponível nas plataformas nesta quarta-feira (30).
Na gravação, Nikolas afirma que seu mandato teria conseguido derrubar uma medida que, segundo ele, permitiria ao governo Lula monitorar o Pix com o objetivo de aumentar a arrecadação. A afirmação, porém, já foi classificada como enganosa por verificações jornalísticas e por órgãos do governo.
A controvérsia remete a uma norma da Receita Federal que ampliava o envio de informações sobre movimentações financeiras por instituições de pagamento. A medida não criava um monitoramento em tempo real do Pix nem dava ao governo acesso ao conteúdo individual das transferências. A Receita Federal e o Ministério da Fazenda também negaram que houvesse uma nova tributação sobre o sistema.
De acordo com o DCM, a própria Meta registrou o pagamento feito para promover a publicação. O conteúdo teria começado a ser impulsionado em 23 de setembro e continuava sendo distribuído mesmo após os desmentidos sobre a alegação relacionada ao monitoramento do Pix.
A desinformação sobre o Pix já havia provocado repercussões anteriormente. Em 2025, levantamento do NetLab-UFRJ identificou milhares de anúncios fraudulentos relacionados ao tema nas plataformas da Meta. Parte dessas peças utilizava imagens manipuladas de autoridades e políticos para atrair vítimas para golpes financeiros.
O caso ocorre em meio ao aumento dos gastos com publicidade política nas redes sociais durante as eleições de 2026. Dados apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontavam que candidatos já haviam destinado R$ 167,3 milhões à Meta em impulsionamentos até 24 de setembro.
A utilização de publicidade paga para ampliar conteúdos políticos e as regras aplicadas pelas plataformas às publicações de candidatos passaram a integrar o debate eleitoral deste ano, especialmente diante da circulação de conteúdos considerados falsos ou enganosos sobre adversários políticos e políticas públicas.
Com informações do DCM





