POLÍTICA

PF e Abin emitem alerta para tentativa de golpe após Trump fechar embaixada no Brasil

A Polícia Federal (PF) e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) emitiram alertas aos órgãos que integram o Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin) após o governo dos Estados Unidos anunciar a suspensão dos serviços presenciais da embaixada e dos consulados no Brasil. A medida foi anunciada nesta sexta-feira (2), dois dias antes do primeiro turno das eleições de 2026.

Segundo informações publicadas pela Revista Fórum, os informes produzidos pelos setores de inteligência levantam a possibilidade de uma operação psicológica, conhecida como psyops, destinada a provocar um ambiente de tensão e insegurança no país às vésperas da votação. A publicação afirma que os alertas foram distribuídos a integrantes do Sisbin, ministérios e representantes do Itamaraty.

De acordo com a reportagem, a avaliação de setores da inteligência brasileira é de que a suspensão dos atendimentos poderia contribuir para a disseminação de informações sobre uma suposta situação de instabilidade no Brasil. A medida, entretanto, foi justificada oficialmente pelos Estados Unidos como uma questão de segurança, sem divulgação detalhada das possíveis ameaças.

A decisão americana também foi acompanhada pela Austrália, que suspendeu os serviços presenciais de sua representação diplomática no Brasil. Em comunicado, o governo australiano mencionou preocupação com segurança e risco de terrorismo, enquanto os Estados Unidos não especificaram publicamente qual seria a ameaça identificada.

O episódio ocorre em um contexto de preocupação crescente das autoridades brasileiras com uma possível interferência externa nas eleições. No fim de agosto, a Abin já havia classificado como crítico o risco de influência dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro, segundo informações divulgadas pela CNN Brasil. O relatório mencionava uma tendência de escalada da pressão exercida pelo governo de Donald Trump sobre o Brasil.

A Revista Fórum também relata que setores da inteligência avaliam a possibilidade de haver interlocução entre representantes do governo norte-americano e integrantes ligados à campanha de Flávio Bolsonaro (PL). A reportagem cita Eduardo Bolsonaro como um dos principais interlocutores do grupo político nos Estados Unidos. Essas informações são atribuídas a fontes ouvidas pela publicação e não constituem, por si só, comprovação de uma ação coordenada.

A suspensão dos serviços diplomáticos acontece em meio à reta final da campanha eleitoral. O governo brasileiro acompanha o episódio com atenção, enquanto especialistas e autoridades discutem se a medida representa apenas uma precaução de segurança ou se pode produzir efeitos políticos no ambiente eleitoral.

Até o momento, os governos dos Estados Unidos e da Austrália não divulgaram publicamente detalhes sobre as ameaças que motivaram a suspensão dos atendimentos. A PF e a Abin, por sua vez, monitoram o cenário e os possíveis impactos da movimentação sobre a segurança e o processo eleitoral brasileiro.

Com informações da Revista Fórum

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