O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) abriu uma investigação contra o deputado estadual Douglas Ruas (PL), presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), para apurar suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro, crimes licitatórios e organização criminosa. O procedimento tramita sob sigilo na Justiça do Rio de Janeiro.
A apuração envolve empresas ligadas a Ruas, entre elas a Saur Construção, Terraplanagem e Locação e a DM Invest Consultoria e Participações. Segundo o Ministério Público, os investigadores analisam um crescimento patrimonial e financeiro considerado abrupto dessas empresas, ocorrido durante o período de ascensão política de Douglas Ruas e de seu pai, Capitão Nelson, prefeito de São Gonçalo.
Documentos citados na investigação apontam que a Saur movimentou R$ 12,23 milhões em escrituras de imóveis entre janeiro de 2023 e maio de 2025. No período, a empresa adquiriu três imóveis, em operações que somaram R$ 7,4 milhões. Uma das propriedades foi comprada em sociedade com a Normandia Empreendimentos e Participações, empresa ligada ao deputado federal Altineu Côrtes (PL-RJ).
O MP-RJ também incorporou à apuração informações de uma auditoria do governo do Rio sobre contratos firmados durante o período em que Douglas Ruas comandou a Secretaria Estadual das Cidades, na gestão do ex-governador Cláudio Castro. A auditoria identificou contratos que totalizam R$ 702 milhões com consórcios liderados pela FP Vieira Engenharia.
Em junho, o Ministério Público havia solicitado à Procuradoria-Geral do Estado informações sobre possíveis pagamentos do governo fluminense à Saur e à DM Invest. De acordo com a PGE, não foram encontrados repasses públicos às duas empresas.
Douglas Ruas nega as suspeitas. O deputado afirmou que está disposto a prestar esclarecimentos e declarou confiar no trabalho do Ministério Público. Segundo ele, uma investigação anterior sobre os mesmos fatos teria sido arquivada, e sua expectativa é que o novo procedimento tenha o mesmo desfecho. Ruas também afirmou nunca ter respondido a processo criminal.
A investigação permanece em andamento e, até o momento, as suspeitas apuradas pelo MP-RJ não representam uma condenação ou comprovação definitiva de irregularidades. O procedimento segue sob segredo de Justiça.
Com informações do DCM





