POLÍTICA

Valdemar admite que pode haver plano de novo golpe num governo Flávio

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta quarta-feira (7) que poderia haver planejamento de um novo golpe durante um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL). A declaração foi dada durante entrevista ao programa Timeline, da Rádio Gaúcha, ao ser questionado sobre a possibilidade de uma nova articulação para romper a ordem democrática.

Ao responder, Valdemar disse que não sabia se isso poderia ocorrer, mas admitiu a possibilidade. Na sequência, afirmou que uma eventual tentativa desse tipo não teria sentido diante das consequências enfrentadas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado.

O dirigente também reconheceu que houve discussões sobre uma ruptura institucional após a eleição presidencial de 2022. Segundo ele, militares chegaram a discutir a possibilidade, mas o plano não teria sido executado. A declaração retoma uma afirmação feita anteriormente por Valdemar, que em 2025 havia reconhecido a existência de um “planejamento de golpe”, mas posteriormente afirmou que havia se expressado mal e que pretendia falar em um “movimento”.

Durante a entrevista desta quarta, Valdemar afirmou ainda que o resultado das urnas seria respeitado caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vencesse o segundo turno. “Sempre foi”, declarou o presidente do PL ao ser questionado sobre o respeito ao processo eleitoral.

Valdemar fala em medidas para condenados

Na mesma entrevista, Valdemar afirmou que, em caso de vitória de Flávio Bolsonaro, uma medida para beneficiar pessoas condenadas pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro seria adotada no início de um eventual governo.

Segundo o presidente do PL, Flávio tomaria uma decisão imediata para libertar pessoas que estão presas em decorrência dos processos relacionados aos atos de 8 de janeiro. A declaração representa uma posição política de Valdemar sobre uma eventual medida do futuro governo e não significa que uma decisão nesse sentido já tenha sido tomada.

Valdemar também afirmou que Jair Bolsonaro teria participação política em uma eventual administração do filho. Segundo ele, o ex-presidente não ocuparia necessariamente um cargo formal, mas poderia atuar dando opiniões e influenciando decisões do governo.

Mudanças na Constituição

A entrevista ocorreu um dia depois de Flávio Bolsonaro apresentar propostas de mudanças constitucionais. Entre elas está o fim da reeleição para presidente da República e alterações relacionadas ao funcionamento das instituições.

Valdemar afirmou que o avanço dessas propostas dependeria de apoio no Congresso Nacional. O PL ampliou sua bancada no Senado após as eleições de 2026 e, segundo o dirigente, a legenda deverá buscar articulação com outras siglas para viabilizar projetos defendidos pela candidatura.

Apesar da declaração sobre a possibilidade de um novo planejamento, Valdemar também defendeu que eventuais conflitos entre Executivo, Legislativo e Judiciário sejam tratados institucionalmente. Segundo ele, não seria necessário recorrer a confrontos para resolver divergências entre os Poderes.

A declaração ocorre no início do segundo turno da eleição presidencial, disputado por Flávio Bolsonaro e Lula. Até o momento, não há indicação apresentada na entrevista de que exista um plano concreto para uma nova ruptura institucional; Valdemar respondeu a uma pergunta sobre uma possibilidade futura e, ao mesmo tempo, afirmou que o resultado das urnas deverá ser respeitado.

Com informações do DCM

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo