A equipe de campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) descartou a possibilidade de Eduardo Bolsonaro assumir o Ministério das Relações Exteriores em um eventual governo do irmão. Segundo informações publicadas pelo Diário do Centro do Mundo, auxiliares do candidato consideram praticamente nula a chance de o ex-deputado comandar o Itamaraty, revelando divergências internas sobre a formação de um possível ministério.
De acordo com a reportagem, integrantes da equipe de Flávio afirmam que Eduardo está afastado do núcleo que toma as principais decisões da campanha. Parte dos aliados considera que o ex-deputado adota posições radicais e avalia que sua presença em um cargo de destaque poderia gerar dificuldades políticas e diplomáticas para uma eventual administração.
Apesar da resistência, pessoas próximas a Eduardo sustentam que ele terá influência em um eventual governo do irmão. Entre as possibilidades citadas por seus aliados estão o comando do Itamaraty ou a nomeação para a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos, país onde o ex-deputado viveu nos últimos anos.
Em vídeo publicado em seu canal no YouTube, Eduardo evitou confirmar que pretende assumir o Ministério das Relações Exteriores e afirmou que a escolha dos ministros caberá ao presidente, caso Flávio seja eleito. Na gravação, entretanto, apresentou propostas para a política externa, incluindo a aproximação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio.
Eduardo também defendeu que um eventual governo de Flávio transfira a Embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém e aproxime o país do chamado “Escudo das Américas”, iniciativa de segurança associada ao governo Trump. O ex-deputado ainda falou em mudanças na estrutura do Itamaraty e em medidas contra integrantes da diplomacia brasileira.
A discussão sobre o possível cargo não é nova. Em fevereiro de 2026, Flávio havia chamado o irmão de uma de suas referências ao ser questionado sobre a possibilidade de indicá-lo para o Itamaraty. Nos meses seguintes, porém, relatos da imprensa apontaram resistência de setores da campanha e de interlocutores ligados ao empresariado à indicação.
O cenário também envolve a situação judicial de Eduardo. Em 7 de outubro, Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o início do cumprimento da pena de quatro anos e dois meses imposta ao ex-deputado por coação no curso do processo, além de ordenar o cancelamento de seus passaportes brasileiros. A decisão acrescenta um novo elemento às discussões sobre seu eventual papel em um governo do irmão.
Até o momento, não há anúncio oficial sobre a composição de um eventual ministério. A divergência em torno do nome de Eduardo indica que a definição da política externa e dos cargos de primeiro escalão continua sendo objeto de disputa entre diferentes grupos ligados à campanha de Flávio Bolsonaro.
Com informações do DCM





