POLÍTICA

PF aponta indícios de crimes em mensagens de Flávio sobre dinheiro para Dark Horse

A Polícia Federal (PF) identificou indícios de possíveis crimes em mensagens e áudios atribuídos ao senador Flávio Bolsonaro (PL), relacionados à negociação de recursos para financiar o filme Dark Horse, que retrata a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A informação foi divulgada pelo Diário do Centro do Mundo nesta sexta-feira (16), com base em documentos da investigação.

Diante dos elementos reunidos, a PF solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) mais 90 dias para concluir as apurações. A corporação investiga a origem, a movimentação e a destinação dos valores destinados à produção cinematográfica, além de possíveis irregularidades nas negociações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.

Segundo a PF, as mensagens indicariam que Flávio atuou diretamente na cobrança e no acompanhamento da liberação dos recursos. Os investigadores avaliam se as circunstâncias podem configurar crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção ativa e passiva e organização criminosa. As hipóteses ainda dependem do aprofundamento das investigações.

De acordo com os documentos, Vorcaro teria se comprometido a investir aproximadamente R$ 134 milhões no projeto, o equivalente a US$ 24 milhões. Desse montante, cerca de R$ 62 milhões, correspondentes a US$ 12,3 milhões, teriam sido transferidos entre fevereiro e setembro de 2025.

A movimentação financeira identificada pela PF envolve a empresa brasileira Entre Investimentos e Participações e o fundo norte-americano Havengate Development Fund LP, sediado no Texas. Segundo os investigadores, o fundo havia sido criado para um empreendimento imobiliário que não chegou a ser concretizado e posteriormente foi utilizado na estrutura de financiamento do filme.

O caso também envolve pessoas próximas à família Bolsonaro, incluindo o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, apontado nas investigações como participante da estruturação financeira das operações nos Estados Unidos.

O prazo inicial para a conclusão do relatório da PF terminou em 10 de outubro. O pedido de prorrogação foi encaminhado ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF, embora o processo esteja temporariamente no gabinete do presidente da Corte, Edson Fachin.

A defesa de Flávio Bolsonaro informou que ainda não teve acesso à documentação da investigação. Até o momento, não há conclusão definitiva sobre a responsabilidade criminal do senador. O objetivo da PF é esclarecer a origem dos recursos, o caminho percorrido pelo dinheiro e os possíveis beneficiários finais das operações.

Com informações do DCM

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