O senador Jaques Wagner confirmou, nesta segunda-feira (28), que vai se retirar da eleição estadual diante das reações de parlamentares do PT, após adiar o anúncio de sua desistência da candidatura ao governo da Bahia. Seu mandato parlamentar ainda está no meio e só terminará em 2026. A ideia de Wagner é apoiar a candidatura governista do senador Otto Alencar (PSD-BA), mas, segundo o PT, o assunto ainda será debatido.

— A retirada da minha candidatura não implica na retirada da candidatura do PT. Quem decidirá se terá candidatura ou não, não sou eu, será o partido — afirmou Wagner, durante encontro com a militância.

Além de apoiar Otto, a estratégia do PT visa pressionar o atual governador Rui Costa (PT) a concorrer ao Senado. Para concorrer, Costa tem até 2 de abril para deixar o Conselho Executivo baiano, que dará ao PP, outro partido da coalizão estadual, o controle da máquina por nove meses – o atual vice-governador João León (PP) assumirá o estado.

O acordo estava previsto para ser anunciado na última sexta-feira (25), mas ao longo do dia houve reação dos parlamentares do PT na Bahia, que atrasaram o anúncio de Wagner.

Éden Valadares, presidente do PT da Bahia, disse que o partido se reunirá nos próximos dias para definir sua posição:

— Nossa decisão será fruto do debate interno, mas também do imprescindível diálogo com os demais partidos e lideranças da base, como Otto (Alencar), (João) Leão, Lídice (da Matta) e PCdoB — afirmou Éden.

A escolha de Wagner para disputar o governo havia sido definida por Lula, em viagem à Bahia, em agosto do ano passado. Otto concorreria ao Senado, enquanto Rui Costa completaria seu mandato como governador até o fim.

Existem várias teorias sobre por que a paisagem mudou. Os aliados de Wagner disseram que Costa foi atraído por pesquisas internas que mostraram sua alta popularidade e continuou a se posicionar como candidato ao Senado. A sua entrada levaria à ruptura das alianças locais com o PP e o PSD.